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Science4you: um caso de sucesso

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A Science4you é uma empresa cem por cento portuguesa nascida e criada em ambiente universitário. Sedeada na incubadora ICAT no campus da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), esta empresa tem representação internacional em Espanha, Brasil, Angola e Finlândia e está atualmente em processo de expansão para outros países. Não é por acaso.

O caso de sucesso da Science4you deve-se sobretudo aos cinco ingredientes essenciais do processo empreendedor, denominado Zach's Star of Success: conhecimento, compromisso, contactos, energia e, claro, paixão.

A Science4you comercializa brinquedos científicos para um público com idades compreendidas entre os 5 e os 15 anos mas nem sempre foi assim. A história desta empresa remonta aos bancos da escola no ano de 2007 através da pioneira parceria em Portugal entre a FCUL e a ISCTE Business School. Detetada uma ideia de negócio inovadora na FCUL, os alunos de gestão do ISCTE desenvolveram o plano de negócios no sentido de aferir a sustentabilidade e viabilidade da oportunidade que, inicialmente, tinha como core-business a produção de kits científicos para as escolas e, numa perspetiva residual, comercializar brinquedos científicos.
 
Após a elaboração do plano de negócios verificou-se que a área de negócio que efetivamente demostrava rentabilidade era a produção e a comercialização de brinquedos porque, por um lado, para além de serem científicos, eram também educacionais e divertidos e, por outro, era um produto inexistente em Portugal. Porque inovar é isto mesmo: é criar e introduzir, com sucesso, algo novo ou melhorado. Aquela verificação revela a importância de um plano de negócios que não é mais do que um guia para o potencial empreendedor, em que depois de identificada a oportunidade a etapa seguinte passa pelo desenvolvimento do conceito de negócio. O plano é muito útil para apoiar o empreendedor na tomada de decisão, obrigando-o a refletir sobre questões como o mercado e concorrência, os clientes, preços, fornecedores, distribuição, marketing, recursos humanos, rendimentos, gastos e investimento.

Um dos mais importantes recursos que o empreendedor necessita para viabilizar o seu projeto é de uma rede de contactos que deve ser construída e identificada logo nas primeiras etapas do processo de empreendedorismo. No caso da Science4you, a identificação dessa rede de contactos foi muito útil para o próximo passo: angariar o capital inicial para lançar o negócio no mercado. Havia várias opções, desde o tradicional financiamento bancário até ao investimento através de capital de risco. Optou-se pelo último. Com o apoio do AUDAX, o centro de empreendedorismo do ISCTE, que agilizou todo o processo de investimento junto da sociedade de capital de risco Inovcapital, a Science4you conseguiu através do programa FINICIA/IAPMEI levantar capital no montante de quarenta e cinco mil euros. E assim nasceu a Science4you com quinze acionistas, entre os quais alunos e professores que ainda investiram cerca de dez mil euros na sociedade.

No meio de todo este processo, houve sempre a interrogação de saber quem iria ser o timoneiro deste projeto e a resposta não tardou: Miguel Pina Martins. O Miguel foi um dos alunos da licenciatura de finanças do ISCTE que participou na elaboração do plano de negócios da Science4you. Mas como qualquer jovem da sua idade, então com 22 anos, queria trabalhar na sua área de formação e por conta de outrem, tendo optado pela banca de investimento. E assim foi. Três intensos meses de compra e venda de ações, stock options e warrants e com a motivação em baixo foi quanto bastou para rapidamente perceber que não era isto que queria. Queria mais, muito mais. Queria poder construir algo que acrescentasse valor à sociedade e que lhe permitisse, ao mesmo tempo, ser o responsável pelas suas próprias decisões. Nas palavras do próprio “mudar foi a melhor e mais importante decisão que tomou na vida”. E assim cumpria o papel do empreendedor na sociedade que é alguém cuja principal preocupação é agarrar uma ideia e transformá-la num produto que corresponda a uma necessidade de mercado que possa ser comercializada antes que outros o façam.

Dois anos mais tarde e com apenas 25 anos Miguel viria a ser distinguido em Bruxelas pela Comissão Europeia como "Empreendedor do Ano 2010", tendo tido a responsabilidade de representar Portugal na Semana Europeia das Pequenas e Médias Empresas, a SME Week. Por outro lado, também o AUDAX/ISCTE foi distinguido pelo IAPMEI/FINICIA como a plataforma mais dinamizadora na constituição de negócios e com o prémio de Apoio ao Empreendedor.

Mas o percurso do Miguel, embora rápido, não foi fácil, pois no início era o único colaborador da Science4you. Para além de ser o presidente do conselho de administração, era também o comercial e o responsável de armazém. Uma das características de um empreendedor é a disponibilidade. Ainda que suportado pelo conselho científico da empresa e seus acionistas, a verdade é que um empreendedor em início de carreira e com recursos financeiros escassos tem que estar disponível para planificar, implementar e controlar todas etapas do negócio. E não há fins-de-semana nem férias. Agora, a Science4You emprega doze pessoas a tempo inteiro, o que permite uma maior focalização no desenvolvimento do produto e sua diversificação.

A Science4You não produz e comercializa só brinquedos científicos. Também se dedica a atividades como animação científica, campos de férias e festas de aniversário em centros comerciais e escolas. Atualmente tem quinze parcerias, entre as quais o Pavilhão do Conhecimento e o Museu da Ciência, sendo que os brinquedos depois de adquiridos podem valer até 130 euros em bilhetes de entrada num daqueles parceiros. Sem dúvida que os brinquedos e as atividades oferecidos pela Science4You são inovadores e apreciados quer por pais e professores quer também por crianças.

Após a conquista do mercado nacional e com o volume de negócios a crescer rapidamente, em 2009 a Science4You iniciou o processo de internacionalização em Espanha, porque o mercado doméstico é muito limitado para quem quer crescer. Foi um risco, calculado é certo, mas um risco. Teve que se fazer um investimento grande em traduções, com caixas adaptadas ao mercado espanhol e o capital necessário foi obtido através do reforço de capital por parte da Inovcapital. A seguir a Espanha, veio Angola, Brasil e Finlândia. Seguir-se-ão filiais em Itália e Reino Unido.

O percurso de sucesso e competência da Science4you é de tal ordem motivador e didático que atualmente é já utilizado como case-study nas universidades porque acima de tudo o empreendedorismo é uma atitude. Uma atitude que se traduz num comportamento.

www.science4you.pt | www.audax.iscte.pt
Contacto Miguel Pina Martins: pinamartins@science4you.pt


2 Comentário(s)

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Anónimo
2016-03-21 14:50

Boa tarde, quem escreveu este artigo e em que data? Queria citá-lo num trabalho universitário e precisava destas informações.

Anónimo
2016-03-31 02:50

Bom caso do que de bem se faz em Portugal

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