A propósito de economia, do presente e do futuro

Hoje apetece-me escrever sobre Economia. Sim, Economia. Não finanças! Macroeconomia.

Nuno Oliveira
16 de Março de 2015

Hoje apetece-me escrever sobre Economia. Sim, Economia. Não finanças! Macroeconomia.

Faço-o porque nos habituámos a ouvir falar de números, de rácios e de política económica. Muitas das vezes de modo maltratado. No debate político, na boca de jornalistas, de comentadores.

Neste texto, inspiro-me num recente artigo de Paul Krugman (prémio Nobel da Economia em 2008 e colunista do New York Times há vários anos) intitulado The Ignoramus Strategy. Tentarei, pois, falar de coisas muito sérias numa linguagem o mais simples possível.

Falemos então de como funcionam as coisas em Macroeconomia.

 

Os meus rendimentos são a despesa de alguém

Parece-nos muitas vezes apelativo o argumento de que uma economia, simplificando uma economia de um país, funciona como as contas lá de casa: recebemos determinado montante em rendimentos e "gastamos" outro montante em despesas. Mas,as nossas despesas são o rendimento de outros agentes económicos e as despesas de outros agentes são os nossos rendimentos. Se todos diminuirmos as nossas despesas o que estaremos, na realidade, a fazer é diminuir os rendimentos de todos.

Na situação actual da nossa economia, temos muitos agentes económicos a diminuir a sua despesa - forçados pelos credores ou porque assim o decidiram dadas as suas expectativas. Ao mesmo tempo, são poucos os que, em sentido inverso, aumentam a sua despesa. Como resultado, o que observamos em Portugal, e em muitas economias europeias e até nos EUA, é uma diminuição dos rendimentos, uma depressão da economia e um conjunto de milhões de trabalhadores que, em toda a Europa, não conseguem encontrar trabalho.

 

A despesa pública permitiria diminuir o desemprego

Já todos ouvimos, também, o argumento de que nesta situação os Governos competem com os recursos do sector privado - algo a que muitos chamam de efeito crowding out. Nem sempre isso é verdade,e vivemos precisamente numa situação em que a despesa pública não usaria recursos que estariam à disposição dos privados. Antes, a despesa pública utilizaria recursos que não estão a ser usados, estão não empregues, estão desempregados.

Estamos numa fase em que os Governos deveriam estar a gastar mais, em vez de menos. Ao não o fazer, a economia continuará a encolher, o desemprego - não utilização de recursos (trabalhadores e muitos activos produtivos - fabricas, máquinas, etc.) - a aumentar e a despesa privada a decrescer devido à queda contínua dos rendimentos.

 

A inevitabilidade da austeridade

Outro argumento que temos ouvido é que se não levarmos a cabo políticas de austeridade os nossos juros - custos de financiamento - aumentarão muito. Como temos observado, os défices orçamentais dos países não têm levado a aumentos brutais das taxas de juro exigidas (veja-se os casos de Itália, Espanha e até Portugal) e as políticas de austeridade praticadas afundaram ainda mais a recessão económica em todas as economias que, neste contexto, delas têm sido alvo.

Não quero com isto dizer que os governos não devem pagar as suas dívidas. Devem, claro, mas no longo prazo. As medidas de austeridade - seja por aumentos de impostos ou por cortes na despesa - deviam esperar pelo fim da recessão económica e pelo aumento da disposição do sector privado em investir, fazer despesa, e empregar. É por isso que as políticas económicas devem ser contra cíclicas. O que estamos a fazer hoje é criar a tal "espiral recessiva"!

 

Faz sentido?

A economia não é tão complicada como a querem fazer parecer!

Revista Digital Start&Go