Nascer Global!

O tema do Empreendedorismo é moda em Portugal e está na ordem do dia. Mas a verdade é que “Empreender” está na génesis da nossa história.

Mónica Monteiro
29 de Março de 2015


O tema do Empreendedorismo é moda em Portugal e está na ordem do dia. Mas a verdade é que “Empreender” está na génesis da nossa história. Martin Page no seu livro “A primeira aldeia global” dá a conhecer um Povo que apesar das suas limitações (reduzida população, limitação geográfica, escassos recursos naturais) conquistou o mundo em questões económicas, geográficas e de conhecimento. Ainda hoje, pelos quatro cantos do mundo, se conseguem identificar influências portuguesas.

Atualmente vivemos as condições que levaram os portugueses a aventurar-se “por mares nunca antes navegados”. A inexistência do mercado interno decorrente da crise profunda que o país atravessa; a inexistência de recursos naturais que potenciem a economia e a falta de liquidez para potenciar o investimento, são os factores que contribuem negativamente para o contexto atual. Que saída têm então os empreendedores que já se encontram no mercado e todos os que necessitam empreender? A saída é pensar o mercado de forma diferente.

Desde 2008, a Europa tem vivido a pior crise dos últimos 50 anos, registando-se pela primeira vez mais de 25 milhões de desempregados, com as pequenas e médias empresas (PME) a não conseguirem recuperar para índices pré-crise.

Esta situação levou a que a Comunidade Europeia, enquanto bloco económico, tenha adotado o conceito da Sustentabilidade para a sua estratégia Económica (Comissão Europeia, 2010). Uma das principais metas, a serem alcançadas até 2020, decorrentes da nova politica económica é o aumento da taxa de emprego para a população entre os 24 e 65 anos pelo menos em 75%. São necessárias portanto novas empresas, especialmente PME, pois são o motor da economia, gerando anualmente a criação de 4 milhões de novos empregos.

Estima-se que um quinto das novas empresas criadas na Europa, já nasçam globais (Eurofound 2012), mas registando níveis substancialmente diferentes entre os países (a partir de menos de 10%, por exemplo, da Hungria, de até 40% -50% na Roménia, Bélgica ou Dinamarca).

Apesar do contexto atual, Jack Soifer (consultor internacional), afirma que Portugal tem um "potencial gigantesco para poder sair da crise" se aumentar as exportações e diminuir as importações. Segundo o mesmo, as empresas Portuguesas devem apostar em nichos de mercado com elevado potencial e devem apostar de forma a criar capacidade para produzir e exportar. Podemos dizer então que novas e mais empresas devem identificar o mercado global como mercado alvo, devem internacionalizar.

O Grupo Menina design é uma empresa de design que opera em diferentes setores e detêm várias marcas. A marca mais emblemática é a Boca do Lobo. Esta marca de mobiliário foi fundada em 2005 pelos designers Amândio Pereira e Ricardo Magalhães e destina-se a um segmento de luxo. Trata-se de mobiliário exclusivo que combina um processo de produção artesanal com design contemporâneo. Todos os produtos são feitos a partir de materiais nobres, incluindo a utilização de madeiras maciças segundo o método da marcenaria tradicional. Os acabamentos garantem que cada peça é única, elevando assim, o seu valor no mercado. A Boca do Lobo faturou 1,4 milhões de euros em 2011 e esta presente em 52 países, garantindo 80% do volume de negócios nas exportações, em mercados como Reino Unido, França, Espanha, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e Índia.

Também no setor dos serviços podemos encontrar a Mecwide. Uma empresa do sector metalomecânico, que nasceu em 2008, para dar resposta as necessidades de manutenção industrial, tendo iniciado a sua atividade na indústria petrolífera e petroquímica, presta serviços (de elevados índices de especialização como o caso da Soldadura) na construção industrial, manutenção industrial, serviços de engenharia e formação. No fim do primeiro ano de atividade já contava com presença em mercados internacionais (Holanda, França, Suíça e Angola). A presença nos mercados internacionais é uma aposta com investimento direto em Moçambique com a construção de uma unidade Fabril.

Muitos são, já, os exemplos de pequenas e médias empresas que além do contributo positivo que tem na economia, fazem-no desde o início da sua constituição. É pensar o mercado Global – Internacionalizar! É Nascer Global – Born Global!

Revista Digital Start&Go