Um amigo, não é substituído por um outro amigo.

Um amigo, não é substituído por um outro amigo.

Rui Pedro Oliveira
31 de Janeiro de 2016

Um amigo, não é substituído por um outro amigo. 

A perda física ou mental de quem nos é tão próximo, não é colmatada com um anúncio no jornal a solicitar-se uma nova amizade. O mesmo se passa com um animal de estimação, ou com algo que gostamos ou adoramos, seja humano, irracional ou o mais simples e desprezíveis dos objetos.

Os objetos de culto são assim mesmo, e não só perpetuados por iconoclastas ou hipsters com gostos vintage e retro.

Um verdadeiro amante de fotografia jamais se vergará perante um cartão de memória em prol de uma película de 35mm, podem haver menos, mas não é sinónimo de extinção de uma espécie. Experimentem, mas aviso já para o fazerem a uma considerável distância, dizer isto a quem tem uma “Leica” (não obstante ter fabricado a primeira máquina digital do mundo).

Um Charlie Watts ou um John Bonham jamais trocariam os seus timbalões e pratos de choques em couro e metal por semelhantes produtos de borracha onde tocam sem incomodar os vizinhos, e o mesmo certamente se passaria com Maria-João Pires, Sergei Rachmaninoff ou Chopin a abandonarem os seus Bernstein de cauda, por sintetizadores da Roland ou Yamaha (máquinas notáveis por sinal) que abundam no mercado.

Estes são pequenos exemplos, mas se olharmos à nossa volta estamos rodeados de situações idênticas, no caso dos e-readers relativamente aos livros tradicionais. Dos automóveis híbridos, da domótica e da robótica caseira. Do fast food. Do e-learning (na sua verdadeira essência). Naturalmente que são casos que tiveram avanços significativos, mas nenhum deles tirou lugar ao original, aperfeiçoou em alguns casos, estragou noutros pontos de vista. Peçam a um amante do vinyl para ouvir música num iphone, comigo funcionava ao contrário.

Ou os “originals” da Adidas que foram descobertas numa loja com caixas fechadas há cerca de 30 anos, e foi um autêntico sucesso quer na revitalização da loja como da marca. Spectrum, art-deco, filtros do Instagram, cenários kitch, pin-ups, carrinhas pão de forma. Um sem número de situações em que tudo que é “velho” é negocio e apreciado, pela sua beleza, valor e qualidade.

“Back to basics” os amigos são insubstituíveis do ponto de vista de não jogarmos xadrez com as peças que nos estão disponíveis, e as peças que nos são familiares, por vezes são assim. São apreciados pela sua beleza, valor e qualidade. Não dão lugar a outras. Mas o meu ponto de vista, não se confunde com outro. As formas como vemos o mundo, nem sempre são as mais corretas mas sim as que mais interessam ver. A que queremos ver e a que por vezes nos magoa menos, mesmo que seja a errada.

Para mim era indiferente hoje em dia estragar um comando da televisão, mas já imaginaram o drama que poderia ser para parte da população à Sexta ou Sábado à noite? Drama sim, foi quando estourou o esquentador de aquecimento da água no outro dia, depois de um jogging e antes de um jantar com alguns convidados. Mas foi um drama repentino e pouco duradouro. Após estar num chuveiro a 8ºC só se podia imaginar que tinha sido a entrada no mar do norte, e que até faz bem aos músculos depois do exercício físico.

Mais uma vez, uma questão de prisma focal. Onde por vezes há uma contrariedade há quem não consiga ver a oportunidade mas como nos objetos, a contrariedade não desaparece totalmente, fica, mas fica pequena e inócua para perturbar a oportunidade.

Isto é o futuro e o destino das redes sociais de amizade.

Revista Digital Start&Go

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