Storytelling: dos olhos esbugalhados à moral da história

Quando nos pedem para identificarmos um líder, pensamos certamente, não só, em diferentes pessoas, como em pessoas com diferentes perfis e backgrounds.

Daniela Moreira
26 de Fevereiro de 2016

Quando nos pedem para identificarmos um líder, pensamos certamente, não só, em diferentes pessoas, como em pessoas com diferentes perfis e backgrounds. Sejam políticos, desportistas, professores, oradores... Nesta identificação há uma característica que ressalta, a capacidade de cada uma das pessoas que identificamos, nos inspirarem, seja através de palavras ou de acções e de conseguirem incitar em nós, a vontade de fazermos o que nos sugerem, de os seguirmos ou imitarmos os seus passos.

O storytelling não é mais do que contar histórias relevantes e é certo que os líderes mais eficazes são também excelentes storytellers. É através do storytelling que os líderes envolvem, cativam, inspiram e impulsionam à acção, equipas, clientes, e investidores. Será que esta competência é também importante, no caso de empreendedores? Os empreendedores enquanto vendedores de possibilidades e com a necessidade de mobilizarem as pessoas à sua volta, aumentarão a probabilidade de sucesso se forem bons storytellers. E enquanto profissionais, também será importante? A importância de influenciarmos e inspirarmos os outros e de os levarmos a acção é transversal, ainda que dependendo da função que cada um, desempenha na organização, possa ter diferentes níveis de importância.

O storytelling é uma arte, que como em todas, há pessoas que nascem com mais apetências do que outras para a desempenharem, mas cuja prática e o treino, capacita os restantes. A Dale Carnegie Training, através do seu fundador, que em meados do século passado percebeu a importância do storytelling, que culmina com a publicação do seu primeiro best seller, utiliza a fórmula mágica para criar histórias envolventes. A fórmula mágica é uma estrutura testada ao longo dos últimos 100 anos, que desenvolve credibilidade, capta a atenção e leva os outros à acção. Através da aplicação desta fórmula, será capaz de preparar uma comunicação eficaz e inspire os outros a agirem.

Passo um: abra com um incidente que crie impacto (coloque a audiência com os olhos esbugalhados de curiosidade) - Um incidente pessoal é uma maneira infalível de captar a atenção. Reviva uma experiência pessoal relevante, conseguindo desta forma, estabelecer não apenas a relação com as pessoas, mas também conquistando-as a serem persuadidas. Ao identificarem-se com a situação ou uma parte da situação relatada, vão se manter atentas para saberem o que vai acontecer. Utilize factos, evidências, exemplos, estatísticas que suportem a necessidade de mudança. Comece com um facto antes de explicar a mensagem. Quando se inicia uma apresentação, a mente de quem nos está a escutar está cheia de perguntas: Porque deve ouvir, ou porque devo acreditar, quem confirma isto? Daí, a utilização de evidências ser uma ferramenta fundamental para convencer a audiência do nosso ponto de vista.

Passo dois: a persuasão efectiva requer mensagens simples. Descreva a história de forma cronológica, tal como aconteceu explicando os detalhes relevantes. Demonstre que a mudança era necessária e recomende uma acção clara para a audiência tomar numa situação idêntica.

Passo três: ligue a acção específica ao benefício. Todas as histórias necessitam de acabar com o benefício da acção. Certamente já todos ouvimos, pelo menos uma vez a expressão “moral da história”! Isto é abordagem forte para optimizar a discussão construtiva e minimizar confrontações emocionais.

São três passos de fácil aplicação, mas cujos resultados em termos de impacto das nossas comunicação são francamente e motivadores. E já se sabe, que com a preparação e a prática, os resultados vão melhorar e caso ache que não o é, vai ser um verdadeiro storyteller.

Revista Digital Start&Go

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