ADN: Da bioética a humanoides perfeitos.

Rui Pedro Oliveira
1 de Dezembro de 2018

Há uns dias uma senhora que mal conhecia, mas mais comecei a considerar, numa carta enviada pediu para me dar uma palavra. Estava a um ano de se reformar, tinha pânico do que iria fazer no futuro e ficar inerte era o medo maior dela. Se porventura teria uma vaga para poder vir diariamente fazer o nosso arquivo e agenda telefónica pois tinha uma experiência enorme nessa área desde há muitos anos no escritório da fábrica onde laborava. 

Meteu-me muita pena explicar como hoje em dia só com o smartphone de forma gratuita, em nanossegundos com uma definição perfeita, comunicávamos por vídeo para qualquer parte do mundo. A parte de existir “arquivo” é logo uma palavra fúnebre. Hoje, o “arquivo morto” é criado no próprio dia e além de ser assassinado no momento, sobe logo ao céu para uma “nuvem” a fim de poder ser ressuscitado se necessário. 

No que concerne à gestão das agendas telefónicas, julgo que a parte que a senhora menos percebeu, é que se ela me desse o seu número de telefone para eu gravar no smartphone com o seu nome, mal fizesse “login” numa rede social, a mesma me iria propor uma ligação a pelo menos uma homónima dela. “Et voilá” não era a senhora, mas da nova geração e ADN, a filha.

Fiquei por aqui.

Não me ocorreu dizer que foram descobertos uns escritos após a morte este ano, do génio da ciência, físico e cosmólogo mundialmente apreciado Stephen Hawking, em que ele temia uma sociedade liderada pelos muitos ricos. Não estamos a falar de um “Nobel da Economia” a escrever sobre Soros, Gates, Buffet, Bezzos ou Ma, estamos mesmo a falar de “super-humanos” que poderiam ser desenvolvidos enquanto fetos para serem seres superiormente inteligentes e inatingíveis devido à mudança genética que os pais poderiam fazer durante a “gravidez” pois nem será preciso placenta, substituindo alguns genes “danificados” por outros saudáveis ou até perfeitos, para uma mudança plena de ADN. Intuito, criarem “super-humanos” que naturalmente se destacariam dos outros pela perfeição, mediante o “budget” do progenitor. Uma “Ivy League” mundial de humanoides manipulados geneticamente, naturalmente só ao alcance de alguns.

Mas este género de transformação de ADN não será só para colocar olhinhos azuis, corpos bem definidos ou somente qualquer cérebro que facilmente vencesse Kasparov, que fosse escrevesse melhor que Andric e pintar o “Jardim das Delicias” em segundos que El Bosco fez em anos. Aliás a mudança de algumas células nos tecidos até são benéficos para a saúde humana em tratamento de doenças há uns anos ditas incuráveis. Mas na leitura de Hawking, aqui podem ser transformadas autênticos drones humanos para uso terrorista e bélico, para serem introduzidos em grandes multidões e capazes de fazerem parecer as claques de futebol da antiga Jugoslávia, os Partisans ou os Sandinistas, Lobitos nos escuteiros. Podem ser produzidos cientistas de um grau de maquiavelismo dantescos, em que nada os pode assustar. Isto faz-me lembrar quando questionei no “boom” das impressoras 3D, qual seria o perigo se um dia uma impressora 3D fizesse uma impressora 3D. Há menos de um ano, duas linguagens de programação criaram uma linguagem própria para começarem a comunicar secretamente entre elas nos servidores do Facebook. Serão estas “máquinas” que irão andar nas guerras pelos nossos ares.

A mim não me assusta este pensamento futurista. E não me assusta, porque aprendi a não dar demasiada importância ao que sou impotente para resolver e por isso “sofrer” por antecipação, isto são áreas com “direito próprio” onde a bioética é uma palavra inexistente. Também não julgo esta situação ser futurista demais, há com certeza umas “Áreas 51” ou outras do género que já trabalham isto seguramente. A “Dolly” não foi apresentada na Escócia a dizer que ir ser clonada. A “Dolly” apareceu clonada aos 7 meses de vida e existiu até ser abatida aos 6 anos. Não era um holograma nem translucida.

Portanto, nada disto é ficção. E consequentemente aquela senhora parou no tempo e no pensamento, mas numa coisa está muito à frente destas. É normal, e uma pessoa normal pode tentar ser perfeita, uma pessoa perfeita jamais chegará à normalidade.

Artigo em formato PDF

Revista Digital Start&Go

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