É urgente repensarmos as prioridades que orientam as nossas vidas

Atualmente, em nome da segurança financeira, da carreira profissional, e até de luxos materiais, trabalhamos cada vez mais e temos cada vez menos tempo para os nossos filhos. Mas na vida é necessário estabelecer prioridades.

Sara Cardoso
29 de Outubro de 2014

Atualmente, em nome da segurança financeira, da carreira profissional, e até de luxos materiais, trabalhamos cada vez mais e temos cada vez menos tempo para os nossos filhos. Mas na vida é necessário estabelecer prioridades.

Não podemos abdicar do nosso trabalho como pais, tentando deixar a educação dos filhos exclusivamente nas mãos dos professores. Aqueles pais que não têm tempo para educar, orientar e brincar com os seus filhos nos primeiros anos, irão ter de solucionar outros problemas bem mais complexos no futuro. A educação é a melhor herança que um pai pode deixar a um filho.

Nas escolas, verifica-se que muitas crianças não têm o devido acompanhamento em casa, passam demasiado tempo ligadas ao computador, à televisão ou à Internet, por falta de disponibilidade dos pais para dar atenção aos filhos. Deixar uma criança completamente entregue a si, nos primeiros anos de vida, prejudica todo o seu desenvolvimento social e emocional.

 Cada vez mais crianças entram para o jardim-de-infância sem saberem brincar aos jogos de faz-de-conta. As suas brincadeiras são mais repetitivas e cognitivas, do que criativas e sociais. O que importa no desenvolvimento de uma criança não é a quantidade de informação que lhe conseguimos incutir, mas se somos capazes de ajudá-la a desenvolver a persistência, o autocontrole, a curiosidade, a determinação e a autoconfiança.

Pais que subestimam a relação afetiva com os filhos, comprometem significativamente as capacidades cognitiva, social e emocional. A aprendizagem é proporcionada pela interação humana, através de relações reciprocas a criança está a aprender a pensar, a sentir e a fazer coisas muito mais facilmente. O homem é um ser social e precisa da interação para aprender a comunicar e a relacionar-se com o seu semelhante.

Envolva-se no mundo dos seus filhos, dedique tempo para seguir os seus interesses mantendo um relacionamento próximo e consistente. Educar é criar vínculos sólidos de respeito e confiança, é investir mais na comunicação com os filhos, acompanhar a sua vida escolar e transmitir regras e valores. Crianças com uma vinculação segura são socialmente mais competentes, mais autoconfiantes, mais curiosas e mais capazes de lidar com as dificuldades.

Revista Digital Start&Go

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