As alterações políticas, as mudanças nas agendas governamentais, a nova forma de fazer política, as tensões geopolíticas e a redefinição de alianças impactam a competitividade e as cadeias de abastecimento das empresas.
Assistimos também a políticas públicas cada vez mais ambiciosas em sustentabilidade, transição energética, digitalização e proteção de dados.
Neste contexto, a associação a outras empresas pode reforçar a capacidade de adaptação, facilitar o acesso a informação crítica e aumentar o poder de influência e negociação junto dos decisores políticos.
A instabilidade dos mercados globais, as guerras comerciais e a volatilidade das taxas alfandegárias e dos preços das matérias-primas, bem como os constrangimentos nas cadeias de abastecimento, impactam os custos operacionais e os riscos financeiros das empresas.
Paralelamente, a escassez de talento qualificado e o aumento dos custos energéticos e logísticos reforçam a necessidade de soluções colaborativas.
A integração em redes ou associações pode permitir mitigar estes impactos, otimizando recursos, partilhando infraestruturas, gerando economias de escala e o acesso a novas oportunidades de negócio.
As expectativas crescentes dos stakeholders, com clientes, colaboradores e sociedade a exigirem cada vez mais colaboração para enfrentar problemas sistémicos como as alterações climáticas, a circularidade ou a responsabilidade social.
Adicionalmente, num contexto em que a confiança, a atenção e o tempo se tornaram recursos particularmente escassos, pertencer a Redes ou Associações poderá ser um fator de reputação importante atraindo clientes, colaboradores e parceiros.
A velocidade e a complexidade dos avanços tecnológicos em particular da Inteligência Artificial
tornam difícil às empresas acompanharem sozinhas tendências, benchmarks e novas práticas, sendo o trabalho em rede um facilitador.
O aumento da complexidade dos problemas e das tecnologias exige cada vez mais a colaboração entre diversas áreas e organizações e a construção de ecossistemas colaborativos.
Desafios ambientais globais como as alterações climáticas, a transição energética, a escassez de matérias-primas, as exigências da transição para uma economia circular e a sustentabilidade reforçam a necessidade de estratégias colaborativas para encontrar e implementar soluções sustentáveis.
Normativo cada vez mais complexo e exigente, crescimento de normas e regulamentos nacionais e internacionais que impõem obrigações concretas em áreas como ESG, reporte de sustentabilidade, digitalização e privacidade de dados.
Pertencer a associações ou redes setoriais pode facilitar a atualização e permitir um alinhamento mais eficaz com estas exigências, a partilha de boas práticas e a redução dos riscos legais e de reputação.
A análise do sector ou da indústria em que a empresa se encontra utilizando, por exemplo as “Cinco Forças de Porter”, ou seja, avaliando a ameaça de novos entrantes e de produtos substitutos, o poder dos fornecedores e dos clientes e a intensidade da rivalidade entre os concorrentes existente poderá ajudar a perceber se para aquele negócio ou empresa fará sentido pertencer a uma determinada Associação ou Rede.
Verificamos, de facto, a existência de múltiplas associações setoriais, algumas delas que procuram, de forma clara, mitigar estas forças via: redes de compras conjuntas, criação de normas técnicas, formação especializada, acesso a novos mercados, promoção da inovação ou da cooperação.
Contexto interno e relevância para a empresa
Neste caso há que identificar os pontos fortes e fracos assim como as oportunidades e as ameaças da empresa ou área de negócio, ou seja, levar a cabo uma análise SWOT.
Uma empresa que detenha forças internas como competências distintivas, reputação no mercado ou capacidade de inovação poderá ampliar a sua influência no setor, reforçar a visibilidade da marca, participar na definição de normas e políticas públicas e abrir novos canais de negócio.
Pertencer a Associações ou Redes também poderá mitigar algumas fraquezas, compensando por exemplo limitações de escala, recursos ou notoriedade através do acesso a conhecimento especializado, partilha de infraestruturas, formação, benchmarking e poder de negociação coletivo.
A empresa pode, através do associativismo, aproveitar oportunidades tirando partido das tendências identificadas na análise PESTAL, como por exemplo do acesso a determinados incentivos públicos, de parcerias para inovação, da partilha de boas práticas ESG ou da abertura de novos mercados.
Em paralelo, a pertença a associações ajuda a reduzir ameaças ou riscos associados à complexidade regulatória, à volatilidade económica e instabilidade das cadeias de abastecimento ou à escassez de talento.
A cultura, a liderança e os valores da empresa são também determinantes na adoção de uma estratégia de pertença a Associações ou Redes, nomeadamente, a existência de maior ou menor abertura à cooperação, partilha, participação e contribuição para a comunidade.
Se após esta análise a empresa decidir que faz sentido pertencer a Associações ou a Redes é importante clarificar os benefícios que pretende obter.