10 de Janeiro de 2026


FILIPA PANTALEÃO

Secretária-Geral do BCSD Portugal


O poder do associativismo na construção de uma economia sustentável


Na última década, a sustentabilidade deixou de ser tendência para se afirmar como um dos maiores motores de transformação dos negócios e da economia global.



A

s empresas são chamadas a desempenhar um papel decisivo nesta transição, não apenas pela sua pegada, mas sobretudo pela sua capacidade de inovar e investir.

Contudo, no fim do ano passado e início deste ano, assistimos a um certo arrefecimento da ambição em matéria de sustentabilidade. Questões como instabilidade geopolítica, inflação e pressões de curto prazo levaram muitas organizações a dar prioridade à sobrevivência imediata dos negócios, em detrimento de uma visão de longo prazo. Por mais compreensível que seja, esta “pausa forçada” não pode significar retrocesso. É precisamente em momentos de incerteza que o associativismo deve reforçar-se como motor de mudança e espaço de confiança, ajudando as empresas a manter o rumo da transição verde e justa.

Criado em 2001, o BCSD Portugal nasceu da visão de um grupo de empresários que acreditaram que a sustentabilidade seria chave para a

competitividade no século XXI. Inspirado pelo movimento internacional do World Business Council for Sustainable Development, o BCSD Portugal é hoje uma rede única no país, reunindo empresas que, juntas, aceleram e continuam a acreditar na necessidade da transição climática e na integração dos desafios ESG. O BCSD Portugal apoia as empresas com conhecimento, estudos e soluções práticas, como o relatório sobre neutralidade carbónica até 2050, que identifica 22 soluções empresariais em áreas como eficiência energética, eletrificação, circularidade e uso sustentável do solo 1.

O momento atual mostra-nos que sustentabilidade é sinónimo de competitividade, visto que as empresas que lideram nesta área reduzem riscos, atraem investimento, garantem talento e conquistam a confiança dos consumidores. Ainda assim, muitas estão apenas no início da sua jornada. O associativismo amplia o impacto, ajudando a transformar ganhos incrementais em estratégias robustas e inovadoras.

Contudo, o papel das associações





empresariais vai além da partilha de conhecimento técnico. Cabe-lhes também criar programas conjuntos de formação, redes de aprendizagem e espaços de cooperação entre setores. Nenhuma transição será bem-sucedida sem pessoas preparadas para a liderar. A aposta em competências verdes e digitais é, cada vez mais, um fator decisivo para o sucesso dos negócios.

Hoje, perante metas cada vez mais exigentes — como a implementação da nova Diretiva de Reporte de Sustentabilidade (CSRD), que já entrou em vigor para grandes empresas e, em breve, abrangerá todo o tecido empresarial —, o associativismo volta a mostrar a sua força. Em rede, as empresas têm maior capacidade de compreender as mudanças regulatórias, partilhar boas práticas e influenciar políticas públicas que criem condições justas para a transição.

O poder do associativismo está em transformar a soma das partes num movimento coletivo com impacto real.


1 https://bcsdportugal.org/wp-content/uploads/2022/11/Resumo-Projeto-Neutralidade-Carbonica_VF-1.pdf





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sustentabilidade é sinónimo de competitividade, visto que as empresas que lideram nesta área reduzem riscos, atraem investimento, garantem talento e conquistam a confiança dos consumidores




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