A Arte De Empreender No Brasil Atual

Ontem, a palavra de ordem era Inovação. Hoje, Propósito, Legitimidade, Colaboração, Compromisso. Ah, Algoritmo também.

Renata Abranchs
6 de Outubro de 2018

E mal você interioriza o sentido de cada um desses conceitos, lá vem mais outro para incorporar. Para os empreendedores natos, está aí o tempero dessa história: o jogo nunca está ganho (nem perdido).

 

Neste meu primeiro artigo para a  inspiradora Start & Go, quero compartilhar algumas curiosidades sobre a arte de empreender no Brasil de hoje, à luz do Branding (construção e gestão de marcas, no bom e lindo português).

 

Voltemos algumas casas.

 

No Brasil dos anos 80, passamos por uma instabilidade economica brutal, com uma inflação que era uma fábula (5.000 % ao ano). Mas com o lançamento do Plano Real, juntamente com a moeda de mesmo nome, em 1994, abre-se um novo ciclo de desenvolvimento com a estabilidade da economia. Iniciamos aí, um processo inédito de grande empreendedorismo no Brasil.

 

Depois disso, com o cenário internacional favorável da era Lula (2003 - 2011) tivemos um período de pleno emprego, em que as pessoas puderam, além de trabalhar, desenvolver-se e qualificar-se profissionalmente, preparando-se para os dias tão difíceis que, não imaginávamos, chegariam como um tsunami, após os tropeços, as decisões economicas desastrosas e o inchaço do Estado, nos governos Dilma / Temer.

 

2018, Brasil falido, mais de 14 milhões de desempregados, e uma parte significativa desses sem outra saída a não ser empreender.

 

Graças à tecnologia digital a nos presentear com o mundo na palma da mão; redes sociais a nos aproximar do público a custo (quase) zero; aplicações derrubando velhas indústrias; algoritmos a nos ajudar a tomar decisões, todo esse ferramental digital admirável atua a favor de quem quer inovar e cria todas as condições para novos modelos de negócio e novas economias florescerem.

 

Soma-se a isso, as gerações Millennial e Z a operar com um novo chip e a consumir o que acreditam e não o que em outros tempos lhes era imposto pelo poder economico. Elas abraçam causas legítimas, ignoram marcas vazias e opõem-se às irresponsáveis ou oportunistas.

Por isso, marcas que não colaboram para o desenvolvimento sustentável local e do planeta, têm seus dias contados.

 

Aqui no Brasil, temos uma nova safra de marcas e negócios admiráveis que estão a ultrapassar as imensas adversidades de hoje com muito Propósito, Consciência, Criatividade, Identidade e Poder de Superação.

 

Com orgulho, apresento a você, sete pequenas notáveis, 100% feitas no Brasil, das centenas de marcas que estão a transformar a Moda Brasileira.

 

 Insecta (Rio Grande do Sul)

 

Marca de calçados veganos, upcycling, ageless e agênera, feita no Rio Grande do Sul. A Insecta  pratica o conceito de economia circular, transformando calçados da marca usados por clientes em novos solados. Além disso, gera conteúdos de muita relevância e grande envolvimento para a sua comunidade fiel. @insectashoes

 

 Zerezes (Rio deJaneiro)

 

Desenvolve lindos óculos, no Rio de Janeiro, guiada pelo design e respeito à matéria prima e pessoas envolvidas em seu processo. Reaproveita materiais descartados, como madeiras e resinas, dando-lhes nova vida. @zerezes

 

Ahlma (Rio deJaneiro)

 

As premissas da carioca Alhma são a recuperação e reciclagem de matérias-primas, livres de origem animal, para a construção da uma estética fresh upcycling. A marca trabalha coleções próprias e colaborações que reforçam o seu lifestyle saudável e consciente. @ahlma.cc  

 

Catarina Mina(Ceará)

 

Cria bolsas artesanais, do interior do nordeste brasileiro, valorizando e empoderando a mão-de-obra feminina local por meio do crochê. A transparência é o seu maior valor. CM foi a primeira marca de Moda do Brasil a abrir os custos de sua produção. @catarinamina

 

Re-Roupa (SãoPaulo)

 

Marca e oficina criativa que propõe a criação de roupas upcycling a partir de matérias primas que eram consideradas resíduo. A estética é urbana, autoral e colorida. @reroupa

 

MIG Jeans (Rio deJaneiro)

 

Marca de upcycling jeans, que revoluciona o mercado com autenticidade, transformando peças usadas em novas, com design contemporâneo e sem gênero.

@migjeans

 

Projeto Gaveta (SãoPaulo)

 

Movimento independente que incentiva a troca de roupas entre participantes em eventos pelo Brasil, conscientizando e difundido o sentido real da economia compartilhada. @projetogaveta

 

E a melhor notícia é que desde que você começou esta leitura, pelo menos um lindo negócio como esses nasceu em território brasileiro!


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  DOC.CRIÁVEL_ Capítulo 1


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