MARIA DE JESUS FONSECA
Consultora em GRH e Comportamento Organizacional
“Como o Mundo é pequeno!” – O Poder da Rede
“Pense em alguém que admire ou de quem se considere fã incondicional. Pode ser um ator de Hollywood, um desportista de elite, um cientista brilhante ou até um líder mundial. Agora imagine que consegue ligar-se a essa pessoa através de uma cadeia de conhecidos, ou seja, do “amigo de um amigo”. Talvez pareça impossível, mas na verdade, segundo a teoria dos seis graus de separação, bastariam poucos intermediários para o fazer.”
teoria dos seis graus de separação propõe que qualquer pessoa do mundo pode estar ligada a outra através de apenas seis indivíduos. O seu autor, Frigyes Karinthy afirmou que o mundo é muito mais pequeno do que pensamos. Afinal, quem nunca utilizou a expressão: “Como o Mundo é pequeno!”
Six Degrees (seis graus) foi também o nome de uma plataforma pioneira que existiu antes do Facebook, o X ou o Instagram tendo sida a primeira rede social a proporcionar a possibilidade de juntar amigos e explorar contactos em comum. Na realidade, cada vez mais, estamos todos interligados por um número pequeno de conexões.
O livro “O Mundo é Pequeno”, de Malcolm Gladwell (inspirado na teoria dos seis graus de separação), mostra-nos como as redes humanas são surpreendentemente curtas.
O que parecia um mundo vasto e disperso é, na verdade, um tecido de conexões próximas, onde indivíduos aparentemente distantes estão apenas a alguns contatos de distância. Esta constatação tem implicações diretas e profundas na Gestão de Recursos Humanos e na forma como as organizações se estruturam para atrair, desenvolver e reter talentos.
No passado, as empresas viam a Gestão de Pessoas como um processo interno, limitado a currículos recebidos e entrevistas presenciais. Hoje, graças ao poder das redes — digitais e interpessoais — os Gestores de RH sabem que os talentos circulam em comunidades amplas, interligadas e em constante movimento. O LinkedIn, por exemplo, tornou-se uma extensão natural dos processos de recrutamento. Não se trata apenas de publicar vagas, mas de compreender que cada colaborador é um elo numa rede maior, capaz de conectar a empresa a futuros
parceiros, clientes ou colegas de trabalho.
O poder das redes desafia também a forma como avaliamos o capital humano. Já não basta analisar apenas as competências técnicas de um profissional; importa perceber a sua rede de relacionamentos, a sua capacidade de construir pontes e de gerar colaborações. Um colaborador com forte capital social pode ser o elo que liga a empresa a novas oportunidades. Assim, a Gestão de Recursos Humanos precisa valorizar não apenas o indivíduo isolado, mas o indivíduo enquanto parte desta rede dinâmica.
Além disso, o mundo interligado evidencia a importância da reputação e da transparência. Se, como sugere a teoria, estamos todos a poucos graus de distância uns dos outros, então, qualquer experiência positiva ou negativa dentro da organização tem o potencial de se espalhar rapidamente.