10 de Janeiro de 2026


MARIA DE JESUS FONSECA

Consultora em GRH e Comportamento Organizacional


“Como o Mundo é pequeno!” – O Poder da Rede


“Pense em alguém que admire ou de quem se considere fã incondicional. Pode ser um ator de Hollywood, um desportista de elite, um cientista brilhante ou até um líder mundial. Agora imagine que consegue ligar-se a essa pessoa através de uma cadeia de conhecidos, ou seja, do “amigo de um amigo”. Talvez pareça impossível, mas na verdade, segundo a teoria dos seis graus de separação, bastariam poucos intermediários para o fazer.”



A

teoria dos seis graus de separação propõe que qualquer pessoa do mundo pode estar ligada a outra através de apenas seis indivíduos. O seu autor, Frigyes Karinthy afirmou que o mundo é muito mais pequeno do que pensamos. Afinal, quem nunca utilizou a expressão: “Como o Mundo é pequeno!”

Six Degrees (seis graus) foi também o nome de uma plataforma pioneira que existiu antes do Facebook, o X ou o Instagram tendo sida a primeira rede social a proporcionar a possibilidade de juntar amigos e explorar contactos em comum. Na realidade, cada vez mais, estamos todos interligados por um número pequeno de conexões.

O livro “O Mundo é Pequeno”, de Malcolm Gladwell (inspirado na teoria dos seis graus de separação), mostra-nos como as redes humanas são surpreendentemente curtas.

O que parecia um mundo vasto e disperso é, na verdade, um tecido de conexões próximas, onde indivíduos aparentemente distantes estão apenas a alguns contatos de distância. Esta constatação tem implicações diretas e profundas na Gestão de Recursos Humanos e na forma como as organizações se estruturam para atrair, desenvolver e reter talentos.

No passado, as empresas viam a Gestão de Pessoas como um processo interno, limitado a currículos recebidos e entrevistas presenciais. Hoje, graças ao poder das redes — digitais e interpessoais — os Gestores de RH sabem que os talentos circulam em comunidades amplas, interligadas e em constante movimento. O LinkedIn, por exemplo, tornou-se uma extensão natural dos processos de recrutamento. Não se trata apenas de publicar vagas, mas de compreender que cada colaborador é um elo numa rede maior, capaz de conectar a empresa a futuros

parceiros, clientes ou colegas de trabalho.

O poder das redes desafia também a forma como avaliamos o capital humano. Já não basta analisar apenas as competências técnicas de um profissional; importa perceber a sua rede de relacionamentos, a sua capacidade de construir pontes e de gerar colaborações. Um colaborador com forte capital social pode ser o elo que liga a empresa a novas oportunidades. Assim, a Gestão de Recursos Humanos precisa valorizar não apenas o indivíduo isolado, mas o indivíduo enquanto parte desta rede dinâmica.

Além disso, o mundo interligado evidencia a importância da reputação e da transparência. Se, como sugere a teoria, estamos todos a poucos graus de distância uns dos outros, então, qualquer experiência positiva ou negativa dentro da organização tem o potencial de se espalhar rapidamente.


Uma má prática de liderança ou uma cultura organizacional tóxica não ficam confinadas às paredes da empresa: circulam pelas redes, moldando perceções externas e impactando a atração de talentos. Nesse sentido, a Gestão de RH deve ser também uma gestão de imagem, alinhando valores, práticas e 


comunicação de forma coerente.

Por outro lado, o poder das redes abre oportunidades para o desenvolvimento de pessoas. O conhecimento circula em comunidades de prática, fóruns online e grupos colaborativos. As organizações que incentivam os seus colaboradores a cultivar e partilhar essas redes internas

e externas ampliam a sua capacidade de inovação.

O Gestor de RH deve funcionar como facilitador, criando ambientes onde as conexões se transformem em aprendizagem contínua.


Implicações Práticas das redes na Gestão de Recursos Humanos:


1. Recrutamento e seleção: as redes sociais digitais (LinkedIn, por exemplo) refletem a lógica dos seis graus: um candidato pode chegar a uma vaga não apenas pelo currículo, mas por conexões estratégicas. O Gestor de RH deve aprender a mapear redes de talentos


2. Gestão do conhecimento: o conhecimento circula mais rápido em rede. O Gestor de RH deve ser facilitador dessas trocas, estimulando comunidades de prática e incentivando a partilha horizontal de saberes


3. Liderança e influência: dentro das empresas existem colaboradores-chave que exercem influência desproporcional. Reconhecer esses atores informais é essencial para implementar mudanças organizacionais, difundir cultura e acelerar a inovação


4. Cultura organizacional e reputação: num mundo interligado, experiências positivas ou negativas propagam-se rapidamente. Uma má Prática de RH pode afetar a imagem da empresa. O Gestor de RH deve gerir a Marca Empregadora de forma coerente, transparente e consistente


5. Inovação e aprendizagem contínua: As redes são férteis para a inovação. O Gestor de RH deve promover redes internas e externas de colaboração, estimulando o cruzamento de ideias




Em suma, o mundo é pequeno porque as redes o tornam próximo. 


Na Gestão de Recursos Humanos, esta realidade exige um olhar atento às conexões e à construção de relacionamentos, consciente do impacto que cada interação tem sobre a imagem e a competitividade da empresa. 


Ignorar o poder das redes é gerir pessoas como se ainda vivêssemos num mundo distante; abraçá-las é transformar o Capital Humano num ecossistema vivo, dinâmico e inovador.

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