Mas, para aparecer e se expor, é melhor que o faça bem. Há muitas histórias de como as redes sociais desempenharam – e desempenham – um papel importante nos resultados de uma equipa de vendas ou empresa. As redes sociais permitem, efetivamente, uma grande amplificação e são a “pedra de toque” do social selling.
Posso revelar que, há cerca de 10 anos, quando comecei a estar mais ativo, com consistência, em canais de media ou redes socias, pensava que o que era importante e realmente interessava era ter seguidores, muitos seguidores. Hoje, sabendo mais um pouco sobre o assunto, esqueço os seguidores e foco-me em construir uma “comunidade”, ou seja, um grupo em torno de interesses em que quero ver o meu posicionamento reconhecido – basicamente, uma “tribo”. Este posicionamento serve para um profissional individual, assim como para uma equipa ou empresa.
É, então, óbvio que a visibilidade com valor gera naturalmente oportunidades…Porém, essas oportunidades têm de estar alinhadas com um propósito e o tipo de clientes que queremos atingir – e, no limite, só chegarão até nós aqueles que realmente nos interessam. Este é o modelo de pipeline perfeito numa estratégia de inbound. Ele existe perfeito? Não sei, mas garanto que é possível uma aproximação à perfeição com uma boa estratégia.
Logo, o caminho, no uso das redes sociais como ferramenta de SS, deverá ser a sua utilização como um veículo (como um meio e não um fim em si mesmo), em que pessoas com interesses próximos se misturam, conectam e discutem, para, no limite, colaborarem mais à frente (como parceiros, clientes ou promotores comprometidos do nosso negócio, soluções e oferta). Trata-se de engagement, de agregar valor e de fazer a diferença; não de números, mas sim de um ecossistema colaborativo – nunca esquecendo a grande diferença entre audiência e mercado.
Quer um pipeline sério? Saia do “postar por postar” e entre no “medir para melhorar”
Audiência vs. Mercado – a diferença que muda tudo
Há uma diferença silenciosa, mas decisiva, entre falar para uma audiência e comunicar com um mercado:
A audiência ouve; o mercado presta atenção.
A audiência quer ser entretida; o mercado quer resolver um problema real.
A audiência valoriza a sensação de curto prazo; o mercado valoriza a experiência.
A audiência reage; o mercado responde e decide.
A audiência quer assistir passivamente; o mercado é proativo e quer tomar uma decisão.
A audiência gosta de informação; o mercado quer ver essa informação colocada em prática.
A audiência quer respostas para as dúvidas; o mercado quer que as tuas certezas sejam questionadas.
A audiência gosta que seja popular; o mercado quer que esteja certo.
A audiência pergunta “O que pode fazer por mim?”; o mercado pergunta “O que podemos fazer juntos?
A audiência quer ouvir as suas ideias; o mercado quer implementá-las.
A audiência aplaude; o mercado recomenda.
O Social Selling não é sobre “ganhar aplausos”; é sobre gerar confiança, que se traduz em ação.
O seu conteúdo pode atrair audiência, mas só se transformará em negócio quando começar a falar com o mercado, pois é este que recomenda, compra e volta.
Vivemos num tempo em que se confunde relevância (e impacto) com visibilidade. Contudo, há uma diferença brutal entre ser visto e fazer a diferença. Pode, como pessoa ou empresa, ter milhares de seguidores e continuar próximo de irrelevante; ou pode mudar a vida de meia dúzia de pessoas e deixar uma marca que dura muitos anos. Daí que o alcance possa roçar a vaidade, enquanto a profundidade é uma espécie de “pegada” e legado.
Já pensou que a fama é o eco do mérito e não o mérito em si? Ter mérito tem muito mais substância do que ser conhecido.
O Social Selling não morreu, amadureceu. Ganha quando: se ancora em dados; se integra com conversas (e se aprende com elas); se expõem pensamentos e opiniões com factos (TL) que abrem portas invisíveis; se utiliza IA para personalizar sem perder o tom humano; e se mede tudo o que interessa ao negócio.
Quer um pipeline sério? Saia do “postar por postar” e entre no “medir para melhorar”. Quem dominar este triângulo – sinais via redes sociais, conversas com profundidade e execução disciplinada – deixa de disputar likes e passa a disputar quota de mercado. Ponto.
Fontes de consulta (resumidas)
DataReportal – Digital 2025:Portugal Overview;
Edelman & LinkedIn – B2B Thought Leadership Impact Study 2025;
Forrester – Predictions for B2B Commerce 2025;
Gong Labs – Conversation Intelligence Benchmarks 2024/2025;
HubSpot – Sales Trends Report 2025;
LinkedIn Sales Solutions – InMail & Engagement Benchmarks 2025;
Salesforce – State of Sales 2025