ANDRÉ PINHEIRO
Direção de Qualidade
O diretor de qualidade trabalha para ser despedido!
Quando soube que o tema desta edição iria ser o associativismo, surgiu-me a memória de ter lido sobre um episódio ocorrido na 2ª Guerra Mundial.
Na noite de 1 de Agosto de 1943, nos mares do Pacífico Sul, o navio-patrulha PT-109, em conjunto com vários outros, atacou um comboio de navios japoneses conhecido como o “Tokyo Express”, pela regularidade com que abastecia as linhas de combate com soldados e mantimentos. Mas os navios do comboio resistiram ao ataque (até porque os torpedos lançados falharam todos os respetivos alvos) e na resposta o navio PT-109 acabou por ser atingido, com vários dos tripulantes a caírem à água. Dois deles nunca foram encontrados, enquanto os restantes conseguiram, na sua maioria, regressar ao que restava do navio, com dois a serem “rebocados” pelo tenente John, que nadou para os salvar. O barco em destroços acabou por se aguentar durante 1 dia até virar.
Sem hipóteses de ficar nos destroços, os homens decidiram então nadar para um ilhéu a cerca de 5km, parte do arquipélago das Ilhas Salomão.
A distância era grande, mas o tenente John tinha sido membro da equipa de natação na universidade de Harvard, e por isso voltou a rebocar (com uma corda que segurava com os dentes) um dos feridos, enquanto os outros tripulantes bons nadadores puxaram também outros feridos numa prancha improvisada.
Assim que todos chegaram à ilha, apenas habitada por aves e alguma vegetação, o tenente John achou que ainda corriam risco de serem detetados por patrulhas japonesas, e por isso nadou a várias outras ilhas situadas a poucas centenas de metros, ocasionalmente descansando agarrado a recifes de corais, para tentar perceber onde estavam os navios, tanto japoneses como navios americanos que os pudesse salvar.
Embora não tenha visto nenhum barco americano, aliviou-se por não ter visto barcos japoneses, regressando ao ilhéu original, que tinha o nome de Plum Pudding (“Pudim de Ameixa”), hoje chamada de ilha Kasolo.
Dois dias depois, a 4 de Agosto, o jovem tenente lidera a sua equipa num esforço para atingirem a ilha Olasana,
na esperança de, por esta ser maior, encontrarem algo para comer.Mas apenas encontraram cocos e, novamente, com o receio de encontrarem patrulhas inimigas, optaram por não explorar toda a ilha. Por isso, no dia seguinte, John segue com um outro soldado para uma outra ilha, a mais próxima de um estreito onde os barcos passam habitualmente. Ao chegar lá, os dois homens encontram destroços de um barco japonês, ainda com água potável e alguns mantimentos, e até uma pequena canoa individual. E também encontram 2 nativos, que fogem ao ver os dois militares. No entanto, ao regressar à ilha Olasana, encontram de novo os 2 nativos, que como tinham fugido de repente, ficaram cansados e pararam nessa ilha para comer alguns cocos, tendo encontrado os militares feridos, com quem acabaram por travar conhecimento.
O John convence os nativos a enviarem uma mensagem à marinha americana, mas na ausência de papel e caneta, um dos nativos sugere rasgar a casca de um coco, de modo a escrever uma pequena mensagem, com o nome