2 de Maio de 2026


Artigo mais lido em 2025

O Prémio "Artigo Mais Lido da Start & Go" distingue anualmente o texto que gerou maior interesse e envolvimento junto dos leitores da revista ao longo do ano.



E

sta distinção reconhece a relevância dos temas abordados, bem como a capacidade do autor em partilhar conhecimento, reflexão e experiência de forma útil para empresários, gestores e profissionais. "Entre o TM e o ® vai uma grande diferença!", de Mário Castro Marques foi o artigo de 2025.

Start & Go – Lembra-se do momento em que percebeu que queria trabalhar a proteger ideias em vez de as criar? O que a atraiu neste universo?

Mário Castro Marques - A questão é muito interessante e curiosa. Lembro-me perfeitamente: no início do século, participei nalgumas reuniões da Comissão que fez a revisão da legislação sobre Propriedade Industrial (Código da Propriedade Industrial) e era o mais novo de um conjunto de participantes onde se contava a maior parte dos especialistas nesta matéria e, numa dessas reuniões, “apaixonei-me” profissionalmente por esta área. O curioso é que até esta área da proteção é uma área que gera novas ideias e muito criativa – foi isto que me atraiu como jurista.

S&G - Se tivesse de explicar a importância da propriedade intelectual a alguém em 30 segundos, sem usar linguagem jurídica, o que diria?

A propriedade intelectual (incluindo as duas vertentes: propriedade industrial e direitos de autor) é uma peça relevante num mercado moderno e hipercompetitivo. Podemos ver a propriedade intelectual como um “pilar na construção da estratégia empresarial”, a qual procura ter sucesso no mercado. No entanto, como pilar, deve ser entendido como um suporte, uma base, e não como um motor – e há que compreender bem esta ideia.


Entre o TM e o ® vai uma grande diferença!"


Com efeito, por si, sem o dinamismo do empresário, aquela não gera o sucesso empresarial. A propriedade intelectual o que faz, pois, é resguardar essa dinâmica e o investimento que lhe subjazem contra certos usos e abusos dos concorrentes. Mas, realça-se, se aquele pilar não for bem construído, pode cair! A sua construção sólida é importante e, para isso, há que ter alguns conhecimentos técnicos adequados. Não basta registar por registar! Há que saber o que registar e o que se está a registar (e a obter como exclusivo). A este propósito, para concluir, sempre observei muitas desilusões, pois, julgavam que tinham um pilar sólido e, afinal, não tinham. É um pouco isto que tento ajudar as empresas a construir, aconselhando-as. Mas também faço de bombeiro para tentar apagar fogos…

S&G - Ao longo do seu percurso, houve algum caso (sem nomes) que o tenha feito perceber o verdadeiro impacto do seu trabalho?

Entre 1999 e 2006 vi e ajudei a crescer uma marca portuguesa. Desde a escolha do nome em que ajudei ao seu registo em Portugal, participei nesta iniciativa e agora é uma das marcas mais conhecidas no nosso país. Sem pretensiosismo, é sempre bom testemunhar o sucesso de um projeto empresarial e ter sido o “padrinho” neste.

S&G - Num mundo cada vez mais digital e rápido, o que mudou — e o que continua perigosamente igual — na forma como pessoas e empresas lidam com as suas ideias?

A rapidez de hoje pode ser boa ou má, depende. Explico com um exemplo: registar um domínio .PT ou .COM para lançar a loja online faz-se rapidamente, o que é bom. Mas pode vir a ser uma autêntica ratoeira: se houver uma marca registada concorrente, quem registou o domínio (igual ou parecido) e depois abriu a loja online, pode vir a ter muitos problemas e mesmo ser obrigado a fechar a loja online. As oportunidades de negócio são maiores e com mais abrangência em termos digitais, mas 

continua-se, infelizmente e muitas vezes, a contruir-se a casa empresarial pelo telhado e não pela base, sem nenhum dos pilar(es) sólido(s) que falei acima.

S&G - Para além da técnica, que qualidades humanas considera essenciais para trabalhar nesta área?

Primeiro, termos a capacidade de compreender as preocupações e objetivos dos empresários e de outros interessados, enfim, colocarmo-nos nos “sapatos dos outros”, pois, só assim, 

podemos ter uma relação de confiança e cooperação efetiva com cada um dos nossos clientes/parceiros. 

Por outro, termos a capacidade de falar e explicar, de forma simples e clara, as eventuais soluções para responder aqueles objetivos ou preocupações – bem como sermos frontais e honestos, quando aquelas não existem. Note-se que este tipo de aconselhamento só é possível quando é prestado por verdadeiros especialistas nesta área, porque não é qualquer um que os poderá ajudar.



Mário Castro Marques, Consultor e Especialista em Proteção da Inovação Empresarial

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