O futuro veste jaqueta amarela

Dia desses ouvi numa palestra que a ‘infância seriam as férias da alma’.

Renata Abranchs
1 de Julho de 2019

Ou deveriam ser. Em muitas paragens (mais perto do que nos damos conta), tristemente, a realidade é bem diferente. Segundo a ONU, atualmente existem mais de 150 milhões de crianças no nosso planeta que estão incluídas na lista do trabalho infantil. Uma realidade social trágica e perversa e questão inadiável.

Porém, em contextos mais justos e éticos, nesse período da vida, é comum sermos deveras protegidos e estimulados a viver a nossa natureza o mais distante possível das “preocupações adultas”.

Tantos assuntos que até ontem eram restritos ao mundo dos crescidos, hoje são pautas da vida dos miúdos. Economia colaborativa, igualdade social, bullying, tecnologia, aquecimento global, política, liberdade de gênero são só o início da lista

O ano é 2019, e o mundo todo assiste à indicação da jovem sueca Greta Thunberg, de 16 anos, ao prêmio Nobel da Paz por liderar o movimento #FridaysForFuture, contra o aquecimento global. A jornada de Greta como ativista ambiental começou quando compreendeu a distância entre o nosso problema ambiental colossal e a negligência das autoridades da Terra. A falta de políticas e compromissos relacionados à crise do aquecimento rouba as perspectivas de futuro das novas gerações. “Percebi que ninguém estava fazendo nada para impedir que isso aconteça, então eu precisava fazer alguma coisa." Simples assim.

Seu inconformismo foi o gatilho para o trabalho de formiguinha voadora, iniciado em agosto de 2018, quando incentivada pelos pais, começou a faltar as aulas todas às sextas-feiras para protestar em frente ao parlamento sueco. Sempre vestida com uma icônica jaqueta sinalizadora amarela, a menina segura o cartaz com a frase "Skolstrejk för klimatet" (greve escolar pelo clima). O que ela não podia imaginar é que dava início a um movimento estudantil planetário, arrastando legiões de jovens de mais de 100 países, que assim como ela, levam cravados no coração uma “questão de adultos”.

Greta representa a geração Z, da verdade e da ética, que, muitíssimo em breve, será líder das corporações. Líder do mundo.  E o que isso tem a ver com o meu negócio, Renata? Tudo.

Estejam eles no papel de colaborador, aliado, filho, sobrinho ou consumidor, será que estamos preparados para acolher, apoiar e desenvolver esses jovens, donos de uma grande Responsabilidade Social e que sempre precisam expor e debater a sua opinião?  Que não conhecem o mundo sem internet e não separam online e offline (vivem onlife) e são desapegados das barreiras geográficas. São hipercognitivos, ou seja, não só fazem diversas coisas ao mesmo tempo como também pensam e conectam assuntos na “velocidade da luz”. Têm extrema ansiedade, mas são agregadores, compreensivos, sensatos, inclusivos e flexibilizam tudo. Nada para eles é “ou”, e sim “e”. A geração do “por que não?”

Assim, refletindo sobre o que ouvi da tal palestrante, concluo que não tem mais essa história de “alma de férias”, não! As crianças estão mais atentas e bem-dispostas a trabalharem voluntariamente por um mundo melhor.

Cresçam logo, meninas e meninos! Aguardamos ansiosos por vocês (e que não estejamos nós não de férias nesse dia).

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Revista Digital Start&Go

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