1 de Julho de 2020









RUI PINTO

Business Manager


Fotografias D.R.



Work life balance – qual será o novo normal?


Portugal passou por estados de Emergência renovados e está agora no chamado estado de Calamidade. Apesar do nome bastante forte, é um estado que permite uma retoma a parte da normalidade a que estávamos habituados.



Já podemos frequentar alguns estabelecimentos de restauração, escolas abrem em breve e nas próximas semanas as empresas vão começar a laborar parcialmente em condições normais. Isto é, com muitas regras e horários redefinidos, vamos ter pessoas de volta às empresas em regime presencial.

Nesta altura em que o descon­finamento se vai traduzir, repito, em recuperar uma certa normalidade, vou focar-me no regresso à atividade profissional.

É óbvio para todos que o regresso à atividade profissional deve acontecer o mais rapidamente possível sob pena de paralisarmos o país ao ponto de ser impossível recuperar sem grandes danos sociais.

Eu acredito que estamos na altura certa para voltarmos à vida profissional de forma plena mas tenho a certeza que este é o contexto ideal para testar novos formatos de trabalho.

Lembro-me de ler um artigo no Expresso do economista Diogo Agostinho, que começava com a uma pergunta: se era possível termos uma semana de 4 dias de trabalho em Portugal. A pergunta teve por base uma experiência da Microsoft no Japão, replicada por algumas outras empresas um pouco por todo o mundo. O resultado da experiência foi um aumento de produtividade. Ou seja, os colaboradores conseguiram entregar 100% do serviço esperado, trabalhando menos 20% de horas.

Mas o resultado agora é o menos importante; o que importa perceber é ______



que, respondendo à pergunta "se era possível mudar o sistema tradicional em Portugal", a resposta hoje é fácil e sem dúvidas: é garantidamente possível, foi testado e os portugueses, mais uma vez, adaptaram-se perfeitamente.

O repto que deixo a todos os líderes de empresas cuja atividade o permita, é que aproveitem esta altura para testar novas formas de trabalho.

As novas gerações de profissionais já pediam - ou melhor, já exigiam - algo que consideram quase tão fundamental quanto a saúde: o equilíbrio profissional e pessoal (o chamado work life balance).

Estas gerações - quanto a mim, bem - olham para o trabalho como uma mais uma dimensão da vida pessoal. Não vêem o trabalho como uma ferramenta para ganhar dinheiro e usar esse dinheiro numa dimensão pessoal que nada tem a ver com a profissional.

As novas gerações sabem que o activo mais importante que têm na vida e possivelmente o único que o dinheiro não compra, é o tempo.

Elas sabem que o tempo é ainda mais valioso que o dinheiro, por isso, é cada vez mais importante permitir que os colaboradores tenham tempo para si e para as suas famílias para que possam construir uma vida pessoal saudável. E isto não é só ter respeito pelas pessoas que trabalham connosco diariamente e que, no final do dia, fazem a empresa crescer. 

O respeito que temos, permite-nos _______

ver que uma pessoa feliz em casa tem muito maior probabilidade de ser uma pessoa feliz no trabalho. E uma pessoa feliz no trabalho tem muito maior probabilidade de contribuir para uma empresa economicamente mais feliz - vou dizer assim para não mudar o termo.

Se há lições positivas a tirar no contexto atual - e há muitas - é que existem outras formas de trabalho que não exigem a presença durante 100% do tempo, sem que isso tenha necessariamente impacto negativo no desempenho profissional. Em alguns casos acredito que é muito positivo.

Nós na Delta Soluções estamos neste momento a reflectir sobre como será o regresso ao trabalho presencial mas uma coisa é certa: vamos testar novos formatos que não passam pela presença 100% do tempo nos escritórios da empresa, mesmo tendo toda a capacidade - e temos - para reformular a disposição dos espaços e ter todos os colaboradores presencialmente a respei­tar distanciamento social

É a altura certa e tenho a certeza que vai trazer benefícios para a empresa.

Mas também vai trazer desafios. Todos sabemos que outra dimensão do sucesso de uma empresa é uma cultura interna forte e que os colaboradores se sintam como uma peça chave dessa cultura. Na Delta Soluções é evidente que cada um tem sido fundamental para a definição da cultura da empresa e isso é garantidamente mais difícil à distância: 

Por um lado, a presença e o convívio ajudam a reforçar a cultura; por outro, como vamos transmitir a cultura a um novo colaborador à distância?

Não tenho resposta para isso mas é um desafio que teremos que superar.

Tal como queremos que os colaboradores tenham um work life balance, vamos ter que encontrar um equilíbrio entre o 100% presencial e o teletrabalho puro como o que nos habituámos a ver nos últimos meses.

Ao dia de hoje, não posso partilhar publicamente as várias opções que estamos a avaliar - para não criar expectativas que podem não vir a acontecer - mas deixo um repto a todos os empresários e líderes de empresas: aproveitem para mostrar que estão na linha da frente. Não a linha da frente de combate à doença mas na linha da frente de combate a velhos hábitos que não têm futuro no novo mundo.

Neste aspecto, o COVID-19 não veio mudar nada senão acelerar o que já iria acontecer de forma mais lenta. A diferença é que o - que eu vou chamar de - comboio do sucesso nos próximos tempos não é um intercidades mas sim um TGV. Temos que ser muito mais ágeis para entrar na carruagem mas quem estiver lá dentro vai chegar mais longe e mais rápido.

Mais importante que nunca, com mais ou menos distanciamento social, estamos juntos.




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