14 de Janeiro de 2026


ELISABETE NOGUEIRA

Docente Universitária



O Poder da Rede na Sustentabilidade Empresarial


Nos últimos anos, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma preocupação ética ou reputacional para se tornar uma estratégia central de competitividade.



A

grande questão que ainda paira sobre muitas lideranças é se realmente compensa, em termos financeiros, investir em práticas ambientais. Um estudo recente publicado na Journal of Cleaner Production (Nogueira, Gomes & Lopes, 2023), que analisou 96 estudos (mais de 138 mil observações), responde de forma clara: sim, ser sustentável é rentável, e os resultados são ainda mais expressivos quando a transformação é feita em rede.

De acordo com o estudo, as práticas ambientais estão positivamente associadas a todas as dimensões do desempenho empresarial. No conjunto global, empresas que investem em sustentabilidade apresentam melhor desempenho. Nos indicadores financeiros e contabilísticos, observam-se ganhos em rentabilidade e margens. Ao nível do mercado, ainda que o impacto seja mais moderado, nota-se valorização junto de consumidores e acionistas. Do ponto de vista económico, a redução do consumo de recursos e de desperdícios traduz-se diretamente em poupança de custos.


Já no plano operacional, a adoção de práticas sustentáveis gera ganhos claros em eficiência, qualidade e satisfação dos clientes. Ou seja, a sustentabilidade não é apenas uma obrigação ambiental, mas uma verdadeira estratégia de criação de valor empresarial.

No entanto, o estudo vai mais longe e demonstra que os efeitos da sustentabilidade são significativamente ampliados quando as empresas atuam em rede. É aqui que surge o verdadeiro “poder da rede”. A pressão exercida por stakeholders como clientes, fornecedores, reguladores, investidores e colaboradores, longe de ser vista como ameaça, deve ser interpretada como oportunidade. Essas interações criam novas possibilidades de diferenciação, impulsionam a inovação e fortalecem a competitividade. A colaboração interempresarial, materializada em cadeias de fornecimento sustentáveis, parcerias para inovação verde ou alianças setoriais, reduz riscos, partilha custos e acelera o impacto positivo. Além disso, quando uma empresa se posiciona em ecossistemas sustentáveis, a sua credibilidade e reputação são





reforçadas, conquistando a confiança de consumidores e investidores de forma mais sólida e duradoura.

Os efeitos da sustentabilidade não ocorrem de forma isolada, mas sim em rede de influência mútua. Melhorias financeiras alimentam a performance operacional, que, por sua vez, reforça a perceção de mercado. Este fortaleci­ento da imagem e da credibilidade abre espaço para novas oportunidades económicas e reforça o ciclo de ganhos financeiros. É, portanto, um círculo virtuoso em que cada dimensão se alimenta da outra, multiplicando valor.

Assim, poderá concluir-se que ser sustentável não apenas protege o planeta, mas também gera rentabilidade concreta. Mais importante ainda, os benefícios multiplicam-se quando as empresas se inserem em redes colaborativas, em que a pressão dos stakeholders se converte em inovação, eficiência e competitividade. Em tempos de crise climática e de disrupção económica, apostar em redes de sustentabilidade é mais do que responsabilidade social. É a via mais inteligente para garantir resiliência, crescimento e longevidade empresarial.





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