MANUELA RIBEIRO
Consultora e criadora da metodologia THE CHOICE – service awareness
COLABORAÇÃO EM REDE: A FORÇA QUE SUSTENTA
Estávamos no início dos anos 90, os vinhos portugueses sentiam a dificuldade de distribuição nos mercados internacionais, dominados por países já consagrados como França, Itália e Espanha e pelos recém-chegados países do “novo Mundo”, como Austrália, Nova Zelândia, Chile, Argentina e Estados Unidos – Califórnia e é neste enquadramento, que as sete maiores empresas de vinhos nacionais resolveram criar o grupo G7 Vinhos.
objetivo era claro, conseguir massa critica para serem ouvidos pelos compradores das grandes cadeias de distribuição e pela imprensa especializada. Isolados, eram apenas mais uma empresa de um país ainda à procura do seu lugar de destaque, juntos representavam mais de 60% da produção de vinhos desse mesmo país.
Tive a oportunidade de sentir essa força na primeira pessoa, participei em provas de vinhos em diversos países e vi, dentro da mesma sala, empresas concorrentes, mostrarem os seus melhores produtos – cada empresa procurava ganhar listagens, vendas e espaço na imprensa, mas primeiro era preciso que Portugal como país produtor de vinhos de qualidade fosse reconhecido pelo consumidor – o Todo sobrepunha-se às partes.
Em resumo, o trabalho coletivo do G7 Vinhos trouxe benefícios muito claros, como:
Visibilidade conjunta – Ao atuar sob uma identidade coletiva, conseguia maior impacto na comunicação e na distribuição;
Promoção internacional – Ao participar em feiras e provas de forma conjunta, multiplicava a presença global das marcas individuais;
Fortalecimento da identidade regional – O vinho não é apenas um produto, ele é o resultado de cultura, território, tradição e inovação sustentável, em conjunto, estas dimensões ganhavam mais força.
Nesta mesma lógica, outros grupos de empresas foram surgindo, com identidades muito próprias e que continuaram a fazer crescer o nome de Portugal no mundo, a partir desta visão de conjunto.
Estes movimentos coletivos, funcionavam assim como complemento às ações que as entidades institucionais,
já há muito vinham a materializar com a organização das presenças conjuntas em certames da especialidade.
Benefícios comuns, responsabilidade partilhada
As ações colaborativas e os modelos associativos geram benefícios comuns, mas em simultâneo exigem um reforço da responsabilidade coletiva, sendo assim fundamental compreender que esses benefícios não são “prémios gratuitos”, mas sim fruto de um esforço coletivo, do tempo e da dedicação de cada elemento do grupo.
Isso implica, algo tao simples como garantir a entrega das amostras para expedição para a feira na data combinada, ou pacotes claramente identificados, para evitar que … outras empresas possam correr o risco de organizar os seus stands de forma apressada, porque a transportadora atrasou a entrega, porque os produtos saíram mais tarde do seu local de origem. Ou seja, é necessário:
Respeitar regras e compromissos