10 de Janeiro de 2026


LUIS LOBÃO

Professor e Consultor


UNINDO FORÇAS PARA CRIAR VALOR


Vivemos um tempo em que a lógica da competição absoluta perde espaço para a cooperação inteligente.



O

empresário que ainda acredita que sozinho chegará mais longe, cedo ou tarde, descobrirá que sua corrida é mais lenta do que a de quem soma fôlego com outros. As redes associativas não são uma tendência passageira, mas um modelo estratégico comprovado que muda a forma como pequenas e médias empresas enfrentam o mercado. Elas permitem superar barreiras que, isoladamente, seriam intransponíveis, e criam um poder que vai muito além da soma das partes.

Se olharmos para o mundo dos negócios como um grande mapa, cada modelo coletivo tem sua própria paisagem. Os clusters são como montanhas vizinhas, firmes e próximas, onde empresas do mesmo setor se agrupam naturalmente para ganhar força pela proximidade. Já os arranjos produtivos locais lembram cidades planejadas, erguidas com apoio de políticas públicas, em que governo, associações e empresas se unem para

impulsionar o desenvolvimento da região. Os ecossistemas de inovação se parecem com florestas tropicais, complexas e cheias de vida, onde diferentes espécies — startups, universidades, investidores e corporações — interagem e criam continuamente formas de valor. As redes associativas, por sua vez, são pontes construídas pela escolha consciente de empresários que, mesmo distantes geograficamente, decidem se conectar para compartilhar recursos e multiplicar seu poder de mercado.

O impacto econômico é evidente. Quando empresas se unem, conseguem negociar com fornecedores em condições antes restritas aos gigantes. Ganham escala, criam marcas próprias, reduzem custos e aumentam margens. O verdadeiro valor das redes associativas está naquilo que vai além do resultado imediato. Ao compartilhar conhecimento, dividir riscos e adotar tecnologias em conjunto, essas organizações abrem caminho para novos mercados e estimulam inovação.

O que, individualmente, levaria anos para ser conquistado, em rede acontece de forma acelerada.

Existe também uma dimensão menos tangível, mas de peso estratégico: o capital humano e social que se constrói. Confiança é a moeda invisível que faz uma rede prosperar. Quando empresários dividem informações confidenciais, compartilham aprendizados e constroem relações sólidas, surge algo que o mercado sozinho não entrega: uma rede de negócios resiliente. Esse capital social fortalece comunidades locais e cria um ambiente de negócios que sobrevive melhor a crises, incertezas e transformações.

Não se trata de um fenômeno restrito a alguns setores ou países. Segundo a Aliança Cooperativa Internacional, existem hoje mais de três milhões de cooperativas e organizações associativas no mundo, reunindo um bilhão de membros e movimentando quase três trilhões de dólares por ano. Se fossem uma economia única, estariam entre as maiores potências globais.



 




O que vemos é um movimento consistente, de diferentes culturas e mercados, provando que colaboração não é utopia, mas estratégia. A Europa consolidou modelos de sucesso há décadas, e aqui no Brasil temos expandido experiências que mostram o potencial transformador do associativismo.

Claro que não é um caminho livre de obstáculos. O maior deles está na governança. Concorrentes que decidem colaborar precisam alinhar interesses,


definir regras claras e cultivar a confiança diariamente. Quando isso falha, surgem conflitos capazes de minar todo o esforço coletivo. Porém, justamente nesses desafios está a oportunidade de evolução. Redes bem geridas transformam diversidade em complementaridade e competição em combustível para inovação.

O futuro aponta para o fortalecimento dessas iniciativas! Em um mercado cada vez mais complexo, a capacidade de 


inovar coletivamente, de ganhar escala sem perder identidade e de construir cadeias de valor resilientes é uma vantagem que nenhum executivo pode ignorar. 

A pergunta que os líderes devem se fazer não é mais se vale a pena participar de uma rede, mas como construir uma que transforme a cooperação em poder real de mercado e em valor sustentável. Sozinhos, podemos ser bons! Juntos, podemos ser imbatíveis!




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