Esta capacidade de adaptação aos novos desafios do mercado permitiu ao grupo expandir a sua presença para além de Portugal, estando hoje presente em oito países, distribuídos por três continentes, numa trajetória marcada pela ambição, inovação e
visão de longo prazo.
Em paralelo, o Grupo Bernardo da Costa tem vindo a afirmar uma cultura organizacional distintiva, centrada nas pessoas e na convicção de que empresas fortes se constroem com equipas motivadas, valorizadas e envolvidas.
Mais do que um grupo de empresas, representa um projeto construído ao longo de três gerações que continua a crescer com a mesma ambição que esteve na sua origem: criar valor, inovar e colocar sempre as pessoas no centro das decisões.
Ricardo Costa, Presidente do Grupo Bernardo da Costa e Líder Start & Go, fala na primeira pessoa sobre liderança.
Start & Go - O Grupo Bernardo da Costa nasceu como um projeto familiar em 1957. O que significa, para si, liderar hoje uma empresa com um legado tão forte?
Ricardo Costa - Liderar o Grupo Bernardo da Costa é, antes de mais, uma enorme honra e uma enorme responsabilidade.
A empresa foi fundada em 1957 pelo meu avô, numa altura em que Portugal era um país muito diferente do que é hoje. Com poucos recursos, mas com uma enorme vontade de trabalhar e de criar valor, lançou as bases de um projeto empresarial assente no trabalho sério, na confiança e na proximidade com os clientes.
Mais tarde, o meu pai e o meu tio assumiram a liderança da empresa e foram responsáveis por consolidar e desenvolver o projeto ao longo de várias décadas. Foi essa geração que transformou uma pequena empresa familiar numa organização sólida e respeitada no mercado.
Eu entrei na empresa em 2002 e tive o privilégio de aprender diretamente com eles. Em 2011 assumi a liderança do projeto com a responsabilidade de dar continuidade a esse legado e de preparar a empresa para uma nova fase de crescimento.
Ao longo dos últimos anos, com o trabalho extraordinário das nossas equipas, o projeto foi evoluindo e transformou-se num grupo empresarial com presença em vários setores, com 19 empresas, cerca de 400 pessoas e atividade em oito países de três continentes.
Mais do que um crescimento empresarial, vejo esta evolução como a prova de que quando existe uma cultura forte, equipas comprometidas e
visão de longo prazo, as empresas conseguem reinventar-se sem perder a sua identidade.
S&G - De que forma a história e os valores fundadores do grupo influenciam as decisões estratégicas que toma enquanto líder?
RC - Influenciam todos os dias.
As empresas podem crescer, diversificar atividades, investir em tecnologia e entrar em novos mercados. Mas há algo que não pode mudar: os valores que definem a identidade da organização.
O Grupo Bernardo da Costa nasceu com princípios muito claros: trabalho sério, compromisso com a qualidade e respeito pelas pessoas. Esses princípios foram transmitidos de geração em geração e continuam hoje a orientar as nossas decisões.
A estratégia pode evoluir, os mercados podem mudar e a tecnologia pode transformar completamente os modelos de negócio. Mas quando os valores são sólidos, a empresa mantém o seu rumo.
Num mundo empresarial cada vez mais acelerado e imprevisível, os valores são aquilo que garante estabilidade, confiança e credibilidade.
E essa é, para mim, uma das maiores responsabilidades enquanto líder: garantir que o crescimento nunca acontece à custa da identidade da empresa.
S&G - A sua liderança é frequentemente associada à valorização das pessoas e da cultura organizacional. Como é que essa visão se foi construindo ao longo do seu percurso?
RC - Essa visão foi-se construindo com a experiência e com a convicção
de que empresas são, acima de tudo, comunidades de pessoas.
Ao longo do meu percurso profissional percebi algo que hoje considero absolutamente evidente: nenhuma organização é verdadeiramente forte se não tiver pessoas motivadas, respeitadas e envolvidas no projeto coletivo.
Durante muito tempo o discurso empresarial esteve excessivamente centrado apenas em números, resultados e produtividade. Mas a realidade mostra-nos que os melhores resultados surgem sempre em organizações onde existe confiança, propósito e uma cultura positiva.
Foi essa convicção que me levou a defender uma ideia que hoje é central no meu pensamento: a felicidade nas empresas não é um luxo nem um conceito abstrato. É uma estratégia de gestão.
Quando criamos ambientes de trabalho onde as pessoas se sentem valorizadas, onde existe reconhecimento e onde o trabalho tem significado, estamos a construir organizações muito mais resilientes, inovadoras e competitivas.
No fundo, acredito numa ideia simples: cuidar das pessoas é uma das decisões mais inteligentes que um líder pode tomar.
S&G - Quais foram os momentos mais desafiantes na evolução do grupo e que aprendizagens retirou desses períodos enquanto líder?
RC - Todas as empresas que crescem atravessam momentos exigentes e o Grupo Bernardo da Costa não foi exceção.
A transformação de uma empresa tradicional num grupo empresarial diversificado, com presença em