2 de Maio de 2026



Construir o futuro do imobiliário com consistência e cultura organizacional



A Zome Real Estate é uma empresa portuguesa do setor imobiliário que tem vindo a afirmar-se através de um modelo de negócio centrado nas pessoas, na tecnologia e na capacitação dos seus profissionais.



F

undada em Portugal em 2019, a empresa nasceu com o propósito de repensar a forma como a mediação imobiliária é exercida, procurando criar um ambiente mais colaborativo, estruturado e preparado para as exigências atuais do mercado.

Mais do que um modelo tradicional de mediação, a Zome posiciona-se como uma plataforma de desenvolvi­mento para consultores imobiliários, combinando formação contínua, ferramentas tecnológicas e uma cultura organizacional orientada para a partilha de conhecimento. Este enquadramento permite que os profissionais desenvolvam a sua atividade com maior autonomia, suporte e capacidade de resposta aos clientes, num contexto cada vez mais exigente e competitivo.

Um dos elementos distintivos da empresa é a aposta em hubs colaborativos, espaços de trabalho  

con­ce­bidos para pro­mover a in­te­ração entre equipas mul­ti­dis­ci­pli­nares, fa­ci­litar a troca de ex­pe­ri­ência entre pro­fis­si­o­nais e criar um con­texto de apren­di­zagem con­tínua. Estes hubs fun­ci­onam como in­fra­es­tru­turas de su­porte ao ne­gócio, onde tec­no­logia, co­nhe­ci­mento e cul­tura or­ga­ni­za­ci­onal se ar­ti­culam para po­ten­ciar o de­sem­penho dos con­sul­tores e me­lhorar a ex­pe­ri­ência dos cli­entes.

Com presença crescente em várias regiões do país, a Zome tem vindo a consolidar a sua posição no mercado português através de uma estratégia de crescimento sustentável e de valorização do capital humano. Em 2025, a empresa registou um volume de negócios de 2,276 mil milhões de euros, representando um crescimento de cerca de 26% face ao ano anterior, enquanto a faturação atingiu 53,1 milhões de euros, refletindo a consolidação da sua atividade e da rede de profissionais.

Pa­ra­le­la­mente aos re­sul­tados de  ne­gócio, a em­presa tem sido re­co­nhe­cida em di­fe­rentes di­men­sões da sua ati­vi­dade. No âm­bito da cul­tura or­ga­ni­za­ci­onal e da ex­pe­ri­ência das equipas, foi dis­tin­guida como uma das Me­lhores Em­presas Para Tra­ba­lhar em Por­tugal e re­cebeu também o re­co­nhe­ci­mento Best Work Ex­pe­ri­ence 2025.

A nível nacional, o modelo desenvolvido pela empresa foi igualmente distinguido com o Prémio Nacional de Inovação e com o Prémio Cinco Estrelas, na categoria de Redes de Franchising. No setor imobiliário, a Zome foi também reconhecida nos Prémios do Imobiliário BPI/Expresso Imobiliário – SIC Notícias.

Estes resultados refletem a consolidação de um modelo que procura combinar tecnologia, formação e cultura organizacional para responder às novas exigências do mercado imobiliário e contribuir para a evolução de um setor tradicional.


Patrícia Santos, Chairwoman da Zome, partilha a sua perspetiva sobre os desafios do imobiliário, o impacto da tecnologia na função do consultor, a importância da cultura organizacional e as competências essenciais para liderar num contexto em constante transformação.

Start & Go - Enquanto Chairwoman da Zome, quais considera serem os princípios fundamentais para liderar uma organização num setor tão competitivo e em constante transformação como o imobiliário?

Patricia Santos  - Quanto a mim, há três coisas que não negoceio e das quais não abdico enquanto líder: clareza, consistência e capacidade de ouvir. Clareza porque, sem ela, as equipas perdem tempo a adivinhar o que esperamos delas. E isso abre espaço para desconfiança, para falta de direção e para o desalinhamento que pode tornar-se perigoso e fatal. Consistência porque os valores de uma empresa revelam-se nos comportamentos repetidos, não nos discursos, ou nas frases bonitas com que podemos mandar decorar as paredes do escritório. E ouvir porque as melhores decisões que tomei ao longo do tempo vieram de perceber o que estava a acontecer no terreno antes de reagir. Ter tempo para pensar e para ponderar antes de decidir. Claro que também há momentos em que temos que decidir depressa, mas as decisões estruturais requerem tempo para que se pense nelas. 

O imobiliário tem ciclos rápidos e é um negócio que envolve muita pressão. Nesse contexto, a tentação é reagir antes de pensar. Eu prefiro o contrário: pensar antes de falar, decidir antes de comunicar. Até porque tenho a noção clara que aquilo que digo e que faço cria uma imagem e, ao longo do tempo, estabelece um padrão. Por isso, quero sempre ter a convicção de que estou a decidir em consciência, mesmo que, mais tarde, venha a perceber que aquela não foi a melhor decisão. Gosto que seja a melhor decisão que posso tomar de acordo com a informação que tenho naquele momento específico.

Depois há algo que aprendi depressa: nada disto funciona se acharmos que damos conta de tudo sozinhos.

A Zome chegou onde está porque os sócios, as equipas e os consultores construíram isto em conjunto. O meu papel é criar condições para que essa construção seja possível.

S&G - A Zome tem apostado fortemente na inovação e na tecnologia. De que forma estas ferramentas estão a redefinir o papel do consultor imobiliário e a experiência do cliente no processo de compra ou venda de casa?

PS - Acredito que a tecnologia existe para nos ajudar a trabalhar melhor e não para nos substituir no que é essencial: a relação humana. Por isso, no caso específico do setor imobiliário, a tecnologia tem como função libertar o consultor para o que realmente importa: a relação que queremos criar com o cliente. Quando um consultor tem acesso a boas ferramentas - dados de mercado em tempo real, automatização de tarefas administrativas, plataformas de comunicação eficientes, etc - passa menos tempo a gerir papel e mais tempo a acompanhar as pessoas.

Comprar ou vender casa é uma das decisões mais importantes das vidas da maior parte das pessoas. Por isso, é normal que o cliente precise de se sentir confiante. E, para conseguir essa confiança, nada melhor que sermos claros nos processos, no discurso e fazer com que eles sintam que estão a ser acompanhados por alguém que conhece o mercado e percebe o que está em jogo.

A tecnologia melhora a eficiência. A relação humana decide a confiança. Na Zome, trabalhamos para que as duas andem sempre lado a lado. É por isso que investimos tanto em formação como em ferramentas. Porque de nada serve ter a melhor tecnologia se quem a usa não está preparado para a aplicar da melhor forma ao serviço de quem importa.

S&G - A cultura organizacional é frequentemente apontada como um dos pilares da empresa. Como se constrói e mantém uma cultura forte e colaborativa numa rede com equipas distribuídas por várias regiões?

PS - Este é um tema que me é especialmente querido. A Cultura não se decreta, não se impõe à força e não

se apregoa. A Cultura constrói-se dia após dia com comportamentos repetidos no tempo. E isso é ainda mais verdade quando as equipas estão distribuídas e em diferentes geografias, como é o caso da Zome.

O que une as pessoas que estão nessas geografias diferentes não é um manual de valores ou de normas, nem tão pouco powerpoints bonitinhos a dizer o que somos e qual é o nosso propósito. É a coerência entre o que se diz e o que se faz. Quando um líder age de forma consistente, as equipas percebem o que se espera delas, independentemente da região onde estão.

Na prática, isso significa comunicar com regularidade, dar contexto às decisões, sermos diretos sobre o que está a correr bem e sobre o que precisa de ser melhorado.

Também significa criar espaços reais para que as pessoas possam partilhar experiências de forma livre e sem medo. Porque muito do conhecimento mais valioso da Zome está nas histórias das equipas no terreno. Eu não ando a bater de porta em porta e a falar com as pessoas cara a cara. São os consultores que têm este conhecimento tão valioso. Por isso, é preciso criar condições para que eles possam trazer esses dados e essas informações para dentro de casa.

Ao longo dos anos fui percebendo que a cultura de uma empresa começa nas conversas que os líderes têm, mas também naquelas que evitam. O silêncio sobre o que não está bem vai passar uma fatura bem alta mais à frente. Manter uma cultura forte é um trabalho contínuo.

S&G - O mercado imobiliário tem enfrentado desafios significativos, desde alterações nas taxas de juro até mudanças no comportamento dos consumidores. Que estratégias considera essenciais para que as empresas do setor se mantenham resilientes?

PS - Pois bem, tenho defendido muito este tema nos últimos tempos. Para mim, a ideia é clara e fácil de perceber: Não dá para improvisar resiliência apenas quando o contexto aperta. Ela tem de ser construída bem antes. Tem de ir sendo trabalhada como princípio basilar.

As empresas que atravessam ciclos difíceis com mais solidez são as que têm sistemas claros, decisões bem


fundamentadas e equipas que percebem o contexto em que operam. Quando a pressão aumenta, essas bases fazem a diferença. Há uma tendência no setor, neste e não só, para reagir à velocidade dos aconteci­mentos. Mas, diz-me a experiência destes 25 anos de carreira que as decisões que são tomadas sob pressão, sem informação suficiente, raramente são as melhores decisões que podemos tomar. 

O que fazemos na Zome é tentar antecipar. Olhar para os dados, perceber o que o mercado está a sinalizar, ajustar a estratégia antes de sermos forçados a fazê-lo. Isso exige  

disciplina e a capacidade de recusar oportunidades quando é necessário, mesmo quando ainda parecem boas oportunidades. No fundo, aprender a dizer Não. E essa tem sido uma das aprendizagens mais relevantes ao longo da minha carreira.

Acima de tudo porque exige honestidade com as equipas. Em momentos de incerteza, o pior que um líder pode fazer é fingir que sabe mais do que sabe. Reconhecer o que ainda não está claro e dar contexto sobre como se está a pensar traçar o caminho é, muitas vezes, mais útil do que dar respostas que não existem ou que são assentes apenas em suposições 

infundadas.

S&G - O mercado imobiliário tem enfrentado desafios significativos, desde alterações nas taxas de juro até mudanças no comportamento dos consumidores. Que estratégias considera essenciais para que as empresas do setor se mantenham resilientes?

PS - Bom, o primeiro conselho é simples: é preciso aprender a distinguir o que é estrutural do que é circunstancial. Ou seja, este é uma espécie de aviso inicial para quem está num setor tradicional e tem vontade de mudar tudo, ou para quem chega de fora . Antes de chegar e querer mudar o que existe, ou seja, dar espaço ao fervor da inovação, é preciso perceber o que é que existe. Como são feitas as coisas e porquê. Sem isso, perde-se a credibilidade logo à partida. Os setores mais tradicionais têm lógicas que funcionam por razões concretas e objetivas. Quem chega com a ideia de que sabe mais porque vem de fora raramente sai bem na fotografia. E depois, na maior parte das vezes, vai aprender às suas custas que começou a conversa com o pé errado.

Ao mesmo tempo, o contexto muda. E quem não se questiona acaba a gerir o passado. Por isso, o segundo conselho creio que seria: criar o hábito de perguntar antes de responder ou propor. Fazer as perguntas certas abre mais caminho do que dar respostas rápidas.

Depois, e isto foi algo que demorei algum tempo a perceber, a liderança não é sobre ter todas as respostas. É sobre criar condições para que boas decisões aconteçam e que sejam tomadas em equipa, com a equipa e não apesar da existência da equipa.

Assim, o último conselho que daria seria o de serem capazes de assumir os erros depressa. Num setor em transformação, errar faz parte do processo. O que distingue um líder não é não errar, é reconhecer cedo o que não está a funcionar e conseguir corrigir o erro antes de o custo ser demasiado alto.

A vulnerabilidade, quando bem aproveitada, não fragiliza ninguém. Pelo contrário. Dá profundidade e humaniza a liderança. E isso, em qualquer setor, faz toda a diferença.


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