11 de Junho de 2023





MANUELA RIBEIRO

Consultora e criadora da metodologia THE CHOICE – service awareness



Porque a vida é una.


Um tributo a Donella H. Meadows e ao seu trabalho sobre Systems Thinking, que nos ajuda a compreender e a lidar com sistemas complexos, como aqueles em que vivemos.




D

onella Meadows ( 1941-2001) foi uma cientista, professora universitária, escritora e reconhecida, como uma das melhores comunicadoras do mundo, sobre análise e modelagem de sistemas. Os seus livros foram escritos a partir da sabedoria desta visão sistémica, incorporando saberes da famosa escola MIT, de pensadores de varias disciplinas, de executivos do mundo empresarial e da sabedoria ancestral de diversos povos, desde os índios Norte Americanos até aos Sufis do Médio Oriente – tal como Donella escreve “ Estranhos companheiros, mas o pensamento sistêmico transcende disciplinas e culturas e, quando é bem feito, também ultrapassa a história.“

Pensar Systems Thinking é saber que o universo pode ser visto como um conjunto maciço de sistemas, que interagem de maneiras infinitamente complexas, em que qualquer sistema contém vários subsistemas, enquanto que simultaneamente atua como um subsistema de um sistema maior.

Pensar Systems Thinking, começa assim com a definição de Sistema, como:

- Um conjunto de elementos, inter relacionados e interdependentes, que geram resultados -  o simples facto

de ter esta perceção bem presente, já poderia alterar de forma exponencial as nossas vidas. No ambiente organizacional, seria o fim do silos, uma vez que cada departamento se perceberia, efetivamente, como parte integrante do todo que é a organização e de todo o cenário externo que a envolve.

Uma nova embalagem que não foi devidamente validada com a produção, deixaria de acontecer, assim como uma reclamação mal resolvida ou o desenvolvimento de um novo produto sem partilha com a área de aprovisionamento.

Ao nível pessoal poderia alterar imenso os nossos hábitos de consumo, porque teríamos uma maior consciência de que qualquer ação, por mais simples que seja, tem um impacto no todo e assim, juntos como sociedade, contribuímos para um determinado resultado.

- O seu comportamento depende da estrutura e não apenas da soma das partes - e assim que percebemos esta relação entre estrutura e comportamento, podemos começar a entender como funciona o sistema, o que o faz produzir resultados aquém do pretendido e como o trabalhar, atuando em simultâneo nessas duas vertentes.

- Tem um propósito - – que quando claro, bem definido e comunicado, funciona como fator aglutinador dos elementos desse

sistema, que por sua vez se percebe dentro de um outro sistema mais amplo.

- Mantem a estabilidade através de processos de feedback loop – como uma grande coleção de stocks e de fluxos, com mecanismos de regulação, implementados no sentido de controlar os stocks, através da manipulação dos fluxos – ou seja a atividade de um sistema é uma coleção de feedback loops, que cria a interconexão de todas as partes.

Como resumo, podemos dizer que um sistema é um conjunto de elementos – pessoas, células, moléculas … - interconectadas de determinada maneira que produzem o seu próprio padrão de comportamento ao longo do tempo. Esse sistema pode sofrer influencias externas comuns a outros sistemas, mas a sua resposta vai ser especifica daquele sistema, seja uma organização privada ou publica, ou cada um de nós.

Esta perspetiva pode alterar substancialmente a nossa resposta aos desafios que surgem, porque fomos treinados para colocar a causa do problema fora do nosso sistema e nem tanto, para analisar o funcionamento interno desse sistema, em todas as suas especificidades, e o seu contributo para o problema em análise.

Uma ferramenta fundamental no trabalho com Systems Thinking é a aplicação do conhecido Modelo Iceberg, utilizando como referência







a imagem de um iceberg, em que a parte visível é diminuta, relativamente à dimensão de gelo que está debaixo da linha de água.

No Modelo Iceberg:

- A parte visível simboliza os eventos / os resultados / o que se manifesta;

- A parte imediatamente a seguir à linha de água simboliza a estrutura organizacional, o modo de funcionamento;

- A parte mais profunda simboliza os padrões mentais, característicos desse sistema.

A experiência tem evidenciado que a capacidade de alavancagem de medidas de melhoria, é tão mais intensa quanto mais se atua ao nível dos padrões mentais. Perante este conhecimento a responsabilidade de cada individuo e organização,



 privada ou publica, aumenta significativamente, porque reconhecemos que a nossa forma de estar e de ser, impacta o sistema como um todo. Na criação de impactos ninguém é excluído, todos somos contribuintes líquidos do sistema e todos podemos aportar problemas ou soluções.

Trata-se sem duvida de uma mudança de paradigma, capaz de alterar a forma como vivemos e trabalhamos, mas acredito que é fundamental no sentido de criar resultados de unidade e não de separação.

A Donella Meadows deixou escrito uma lista de linhas de orientação, que ela designou por “Systems Wisdom” que podem trazer muita inspiração para todos nós e que partilho em inglês, para manter o sentido original:


  • Get the Beat of the System

  • Expose Your Mental Models to the Light of the Day

  • Honor, Respect, and Distribute Information

  • Use Language with Care and Enrich It with Systems Concepts

  • Pay Attention to What Is Important, Not Just What Is Quantifiable

  • Make Feedback Policies for Feedback Systems

  • Go for the Good of the Whole

  • Listen to the Wisdom of the System

  • Locate Responsibility in the System

  • Stay Humble – Stay a Learner

  • Celebrate Complexity

  • Expand Time Horizons

  • Defy the Disciplines

  • Expand the Boundary of Caring


Muito obrigada Donella Meadows por nos ter ajudado a compreender a UNIDADE.

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