Gestão do Talento nas Compras

O perfil dos profissionais de compras vai mudar significativamente e a matriz de competências dos compradores vai evoluir

Eduardo Santos
13 de Agosto de 2015

O perfil dos profissionais de compras vai mudar significativamente e a matriz de competências dos compradores vai evoluir para um maior nível de “especialização horizontal”, fortalecendo os fatores competitivos da empresa e criando condições favoráveis para endereçar os desafios impostos pelas “grandes tendências” que espreitam ao longo dos próximos anos.

Cada vez mais a profissão de compras é global e susceptível de evoluir significativamente na dimensão de facilitador do negócio / função estratégica e com um papel crítico na gestão da despesa direta e indireta, e das relações com os fornecedores, sendo fundamental para os seus profissionais desenvolverem novas competências para endereçar os desafios e novas exigências do mundo empresarial ao longo dos próximos anos, nomeadamente dirimir turbulências globais que podem gerar efeitos amplificados e constituir fortes ameaças para o negócio gerar valor.

O futuro reposicionamento organizacional dos profissionais de compras e o seu papel de contribuição para o “bottom e top line” do negócio, eleva a importância da gestão de talentos nesta área. O “body of knowledge” de gestão de compras constitui um valioso capital que deve ser difundindo ao tecido empresarial para elevar e promover o progresso / modernização da profissão.

Modernização da Profissão de Compras

Um estudo recente da Mckinsey destaca as dimensões que irão ter relevância e criar vantagens competitivas às empresas por diferenciação dos responsáveis e equipas de compradores, nomeadamente o conhecimento analítico, competências de liderança e gestão, especialização por categorias e mercados de compra, experiência em outras funções transversais da empresa (ex. desenvolvimento de produtos / serviços), e planos de desenvolvimento profissional. O mesmo estudo destaca ainda a visão da gestão de topo sobre o potencial da função compras em acrescentar valor, nomeadamente a importância do seu envolvimento no planeamento do negócio, atividades de “due diligence” relativas a dossiers de fusão e aquisição, engagement nos processos de inovação em conjunto com as funções de marketing e vendas, etc.

No futuro, os profissionais de compras serão assim incorporados em linhas estratégicas de negócio, atuando como parceiros e orientados para o portefólio de fornecedores / grupos de interesse e boas práticas, reinventando o seu papel de acordo com a dinâmica do negócio e contribuindo em simultâneo para o “bottom e top line”. Este reposicionamento da função de compras, eleva a importância da gestão de talentos nesta área.

As empresas com melhor performance e maturidade na função de compras irão recrutar os melhores profissionais, definir de forma mais clara os seus objetivos de performance e criar uma forte cultura que estimule os compradores a desenvolver as suas atividades de compras, alinhados com a estratégia corporativa do negócio. Contudo, há um forte sentimento de que a comunidade de talentos é reduzida para satisfazer a procura de profissionais de compras com o perfil de futuro, o que irá resultar numa forte concorrência pelos talentos existentes, por forma a atrair os profissionais melhores e mais competentes.

Visão do Perfil e Papel do Comprador no Futuro

Iremos também assistir a uma mudança da matriz de competências dos compradores, evoluindo o seu perfil para especialistas, visionários, estratégicos, globais, executivos com forte orientação comercial, persuasivos, influentes e robustos. Os profissionais de compras terão conhecimentos alargados a uma gama de competências desde a economia / gestão e finanças, operações e projetos, direito e relações internacionais, conhecimento de mercados de abastecimento a uma escala global e competências comportamentais chave de liderança, comunicação e facilidade de relacionamento interpessoal.

Os profissionais de compras no futuro irão ser confrontados com a necessidade de desenvolver novas competências e ter que combinar o focus “interno / clientes” e “externo / fornecedores e mercados”, e capacidades analíticas e “interpessoais / sensibilidade relacional”. O cruzamento destas dimensões vai gerar "quatro faces" de compradores: “Diplomatas” - de relações externas, sofisticados e ligados permanentemente à rede, “Analistas” - de tendências globais, dados, mercados e fornecedores, “Investigadores” - catalisando informação da empresa para impulsionar oportunidades de gerar valor e “Líderes” - de equipas de compras orientadas a agregar valor organizacional.

As empresas que no futuro concentrarem maior atenção na gestão dos profissionais de compras, estimulando a colaboração interna entre funções e externa com fornecedores / cadeias de abastecimento, irão fortalecer os seus fatores competitivos e criar condições para vencer os desafios impostos pelas “grandes tendências” que espreitam ao longo dos próximos anos, bem como assegurar não só um maior nível de redução de custos mas também maior valor gerado sobre os produtos e serviços oferecidos.

Revista Digital Start&Go

Mesmo autor