Ervas do Casal

Patrícia Carvalho e Mário Valente são o casal das ervas do casal. Estivemos à conversa com eles para conhecer melhor o seu projeto.

Mónica Monteiro
15 de Agosto de 2018

Patrícia Carvalho e Mário Valente são o casal das ervas do casal. Estivemos à conversa com eles para conhecer melhor o seu projeto.

Como surgiu a ideia de criar a ervas do casal?

 O gosto pela terra, pelos cheiros da natureza, pelas cores deve ter nascido quando acompanhava os meus avós nos trabalhos do campo e passava horas com os pés nas valas de rega do milho, subia ás árvores, comia os cachos de uvas na altura da vindima e fazia palhinhas com os caules de abóboras. Depois conheci as Plantas Aromáticas e Medicinais e apaixonei-me. Os meus avós eram agricultores e a certa altura foi necessário decidir o que fazer com os terrenos. Foi aí que colocamos a hipótese de cultivarmos Plantas Aromáticas e Medicinais. Estudamos o assunto e decidimos avançar com o projeto. Recuperamos os terrenos de cultivo e os antigos edifícios de apoio e começamos a produzir as plantas. Pelo meio, verificamos que os equipamentos que existiam no mercado eram pouco adequados e demasiado caros e começamos a desenvolver os nossos próprios equipamentos (máquina de corte de plantas, plantadores, sachos de roda, etc). Estes funcionaram tão bem que acabamos por criar uma marca, a MAAB - Máquinas de Apoio à Agricultura Biológica, que desenvolve e comercializa equipamentos para uma agricultura sustentável. Neste momento as Ervas do Casal produzem Plantas Aromáticas e Medicinais secas, óleos essenciais e hortícolas.

O porque a posta na produção em modo biológico?

Porque por principio não poderia ser de outra forma. Fazer agricultura com produtos químicos de síntese que se vão acumular no solo, nas plantas e acabam por ser ingeridos pelas pessoas não estava nos nossos planos. Pretendíamos fazer uma agricultura em que o respeito, pelo solo, pelo meio envolvente, pelos ciclos da natureza e pelas pessoas fosse tido em conta. Por outro lado, todo o mercado da Plantas Aromáticas e Medicinais está baseado na produção em modo biológico, com uma mais valia de valor.

O sector da agricultura biológica está a crescer na Europa e em Portugal. Cada vez mais o consumidor está consciente das vantagens de consumir produtos biológicos, no entanto ainda há um enorme trabalho de divulgação e informação a fazer nesta área.

Qual a vossa gama de produtos/serviços. Como adquirir os vossos produtos?

Os nossos produtos são Plantas Aromáticas e Medicinais secas e frescas, hortícolas e óleos essenciais. Podem ser adquiridos pelo facebook, em lojas locais e feiras e mercados. Organizamos visitas à exploração e oficinas ligadas às Plantas, Agricultura Biológica, Natureza e Bem-Estar.

As Ervas do Casal têm uma enorme gama de plantas secas e frescas que vai variando ao longo do ano. Algumas das plantas são: stévia, limonete, tomilho vulgar, laranja, limão e bela-luz, segurelha, manjerona, salva, perpétua roxa, perpétua morango, flor de sabugueiro, calêndulas, mentas, poejo, hortelã vulgar, louro, manjericão roxo e muitas outras. Fazemos a venda direta ao consumidor e venda a granel para revendedores.

Os nossos óleos essenciais são produzidos por nós com as nossas plantas. Temos os seguintes óleos: hortelã pimenta, salva, tomilho vulgar, tomilho bela-luz, segurelha, e alfazema.

É fácil empreender no setor agrícola?

No sector agrícola para além de ter de haver uma ideia clara do que se pretende fazer, há que ter em conta a todos os fatores da Natureza. Para além de ter uma ideia para uma produção agrícola, um produto ou um serviço e de se fazerem analises de mercado e plano de negocio há que conhecer bem as condições de produção da cultura e o mercado onde se pretende estar presente. E há sempre muitos imponderáveis: o clima, as pragas, as doenças, se chove ou se a temperatura é demasiado elevada, etc.

Quais os maiores desafios enfrentados até ao momento?

O maior desafio é a produção em si e o tempo! Conhecer as culturas, as suas necessidades e melhores formas de produção dentro do espírito do modo de produção biológico. O facto deste setor ser relativamente recente e ainda não estar bem organizado como fileira e ter ainda uma pequena dimensão, cria algumas dificuldades em termos de escoamento dos produtos.

Que projetos para o futuro?

Para o futuro pretendemos evoluir na produção dos óleos essenciais, desenvolver alguns produtos com valor acrescentado, criar uma plataforma de venda de produtos on line e criar um Parque dos Aromas na Exploração. Paralelamente pretendemos continuar a desenvolver equipamentos agrícolas na MAAB de forma a colmatar uma serie de necessidades de operações que existem desde a colheita, ao corte caules, limpeza de ervas, etc.

Que conselhos darias a quem quer empreender?

Ter um sonho! Na área agrícola é mesmo preciso gostar-se muito do que se faz, pois a exigências em tempo, disponibilidade e resiliência são enormes. E depois fazer um bom plano de negócios e estudar muito bem o mercado em que se pretende entrar.

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